O ex-presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont (destituído pelo Governo espanhol depois de ter declarado unilateralmente a independência daquela região), terá assumido que a causa independentista catalã está perdida. Numa série de mensagens de texto supostamente enviadas por Puigdemont a um dos seus antigos ministros, e divulgadas esta quarta-feira pela imprensa espanhola, lê-se que “isto [a luta pela independência] está terminado”.

As mensagens foram divulgadas esta manhã no “Programa de Ana Rosa”, da estação televisiva Tele 5, e estão a ser citadas pelos principais jornais espanhóis. O próprio Carlos Puigdemont já veio confirmarr a autenticidade das mensagens, garantindo, no entanto, que nunca deixará de lutar.

“Sou jornalista e sempre entendi que existem limites, como a privacidade, que nunca devem ser violados. Sou humano e há momentos em que também duvido. Também sou o presidente e não vou recuar. Continuamos!”, escreveu Puigdemont, no Twitter.

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De acordo com a informação da imprensa espanhola, as mensagens foram enviadas na terça-feira por Puigdemont a Toni Comín, um dos ex-ministros catalães que fugiram para a Bélgica com Puigdemont, em outubro, depois de Mariano Rajoy ter determinado a suspensão da autonomia da Catalunha e a destituição do governo regional.

“O plano de Moncloa triunfa”, admite Puigdemont numa das mensagens. “Suponho que tens claro que isto está terminado. Os nossos sacrificaram-nos, pelo menos a mim. Vocês serão conselheiros (espero e desejo), mas eu já estou sacrificado, tal como sugeriu Tardá”, escreve Puigdemont.

A referência é ao momento em que o porta-voz da ERC (Esquerda Republicana Catalã, partido independentista), disse no parlamento que talvez fosse necessário “sacrificar” Puigdemont pela causa independentista.

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Numa das mensagens divulgadas, o ex-presidente catalão admite também que estes são “os últimos dias da Catalunha republicana”. Nas eleições de dezembro, convocadas pelo governo central, apesar da vitória do partido unionista Ciudadanos, os independentistas conseguiram a maioria.

A investidura de Carles Puigdemont estava marcada para esta terça-feira, mas foi adiada. Contudo, o presidente do parlamento regional manteve a investidura de Puigdemont. “O plenário de investidura não se vai desconvocar, mas é adiado”, disse Roger Torrent, afirmando que se recusa a propor um outro candidato.

* Artigo atualizado às 11h49, com as declarações de Carles Puigdemont