Estar com os bofes de fora. A expressão é popular mas descreve na perfeição a postura do Sporting contra o Vitória de Guimarães.

Os de Alvalade, em casa, queriam muito triunfar, queriam muito liderar, mas as pernas (depois da vitória da Taça da Liga e da sobrecarga de jogos e mais jogos este janeiro) não respondiam ou respondiam a custo, tudo devagar, devagarinho. Tanto assim foi que o Sporting chegaria ao intervalo sem qualquer remate que importunasse Doulgas, o guarda-redes do Vitória, sendo o único remate para a estatística, ao minuto 32, dos visitantes minhotos.

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Sporting-V. Guimarães, 1-0

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Luís Godinho

Sporting: Rui Patrício; Ristovski, Coates, Mathieu e Fábio Coentrão; William Carvalho, Battaglia (Bruno César, 68’) e Bruno Fernandes; Rúben Ribeiro (Montero, 46’), Acuña e Bas Dost (Doumbia, 48’)

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Suplentes não utilizados: Salin, Piccini, André Pinto e Bryan Ruiz

Treinador: Jorge Jesus

V. Guimarães: Douglas; João Aurélio, Pedrão, Jubal e Konan; Rafael Miranda (Rafael Martins, 86’) e Wakaso; Raphinha (Rincón, 82’), Sturgeon e Hurtado (Hélder Ferreira, 75’); Tallo

Suplentes não utilizados: Miguel Oliveira, Victor Garcia, Marcos Valente e Francisco Ramos

Treinador: Pedro Martins

Golos: Mathieu (84’)

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Wakaso (65’) e Jubal (70’)

Tallo, à esquerda, dribla Coates (o uruguaio ainda está com os rins maltratados por causa de Gonçalo Paciência e o “desumano” Tallo ainda os maltratou mais) e cruza. Raphinha falha o desvio (culpe-se Coentão, que o impediu de chutar) mas Hurtado remataria mesmo. Patrício segurou sem titubear.

A toada manteve-se regressados Sporting e Vitória do descanso. Só o primeiro queria – ainda sem engenho –, o segundo recuava, recuava, recuava, procurando contra-atacar por Raphinha (que até já é do Sporting) mas em vão. Quando após o recomeço Dost saiu lesionado (entrou Doumbia) os adeptos suspiraram – mas até estourou, vá se lá saber a razão, fogo de artifício no estádio José Alvalade – com a saída daquele que resolve mais do que os demais. E mais suspirariam quando Doumbia provou que não é como o holandês, ponto final. Foi ao minuto 59.

William isolou-o nas costas da defesa do Vitória e, à saída de Douglas da baliza, Doumbia rematou para onde estava voltado – que é como quem diz: contra o guarda-redes brasileiro, que foi rápido a sair da baliza. Ainda assim, era aquela a melhor ocasião do Sporting em todo o encontro.

Daqui em diante, e quando todos aparentavam cansaço – mais ainda do que no começo –, havia sempre uma mão estendida a pedir que a bola chegasse a si. Era a mão de Acuña, munido de pulmões bravos mas nem sempre pés precisos ou razão. E quando os pés o eram, quando razão havia em Acuña, não respondiam os seus ao que o argentino cruzava. E cruzou, cruzou, cruzou. Driblou, driblou, driblou. Fez “piscinas” à esquerda, fez de Coentrão quando Coentrão subia e não recuava na exata medida do que subiu, tentou de tudo. E nada. O cronómetro avançava com crueldade e nada.

Então, Acuña rematou. Ao minuto 83. Um remate à meia volta, à entrada da área, a que Douglas responde com uma defesa sensacional junto ao canto superior esquerdo da sua baliza.

No derradeiro fôlego, e no pontapé de canto que se seguira à defesa de Douglas, Acunã cruzou desde a esquerda, todos saltam, ninguém desvia, ninguém corta, e Mathieu surge isolado para desviar de primeira para o primeiro golo em Alvalade. E único. Ainda se pensou que aquele fosse Dost: é esguio, um “matacão” de cabelo russo e cortado à escovinha, furtivo na pequena área. Mas tinha Dost saído, não podia ser. Ilusão de ótica ou não, certo é que o Sporting é líder.