André Alves da Cruz. Quando o brasileiro chegou ao Sporting (vindo do Torino) na viragem do século era já trintão. Vinha como outros trintões gozar a “reforma” a Alvalade? Longe disso.

Foi muito provavelmente o melhor central que jogou no Sporting desde então. Envergava a verde-e-branca número cinquenta. E rapidamente André pegou de estaca no centro da defesa. Mais do que experiência, trouxe de Itália um pé esquerdo que batia tudo o que parado estava sobre a relva: cantos, livres. E onde metia os olhos, metia a bola. Um livre de André Cruz, perto ou longe, era como um penálti — e a André nunca importou a barreira que entre si e a baliza se erguia. A bola sobrevoava-a, quase em câmara lenta, e entrava sempre ou quase sempre (quando o guarda-redes não a defendia ou o poste fazia as vezes de um guarda-redes) no canto superior, tanto fazia se o esquerdo ou direito, era o canto onde se diz que a coruja se aninha e André assarapantava a pobre ave volta e meia.

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Contra o Tondela, na primeira volta do campeonato, Jérémy Mathieu fez Alvalade reviver os idos de Cruz num golo semelhante aos que o brasileiro fez. Mas Jérémy Mathieu (que esta quarta-feira à noite resolveu tarde mas resolveu o encontro com o Vitória) lembra igualmente André Cruz a defender, na segurança a defender. Toda a defesa é segura e toda ela lembra o Sporting de László Bölöni no último título de campeão nacional que Alvalade festejou.

E é precisamente em Alvalade que as semelhanças passadas são… mais presentes. Nunca, desde 2002 e desse longínquo título, o Sporting sofreu tão poucos golos como agora sofre: com Jesus quatro, com Bölöni três. Líder o Sporting já é. Ou volta a ser, duas jornadas volvidas — e sabendo que o Sporting tem (contra o Estoril, onde vai perdendo 1-0) meia parte a menos. Campeão como Bölöni em maio se saberá.