Corrupção

Escuta a Orlando Figueira: Proença fala em “intervenção mais recente”

Proença de Carvalho sempre desmentiu qualquer envolvimento na revogação do contrato. Numa escuta admitiu que teve uma “intervenção mais recente". O advogado recusou comentar "para já".

Antonio Cotrim/LUSA

Uma “intervenção mais recente”. Mesmo não dizendo a que se estava a referir, esta expressão utilizada por Daniel Proença de Carvalho pode indiciar, segundo a defesa de Orlando Figueira, que o advogado teve alguma “intervenção” na revogação do contrato de trabalho entre o procurador acusado de corrupção passiva no âmbito da Operação Fizz e a Primagest, a empresa que terá transferido dinheiro para a sua conta. Orlando Figueira está acusado de ter recebido 760 mil euros de Manuel Vicente, ex-vice-presidente de Angola, para arquivar um inquérito-crime relacionado com suspeitas de branqueamento de capitais.

A expressão foi dita por Proença de Carvalho em resposta a Orlando Figueira quando o procurador lhe ligou a 23 de fevereiro de 2016 — dia em que viu a sua casa e escritório serem alvos de buscas — para pedir que o defendesse no processo. Ao pedido de Orlando Figueira, o advogado disse, “com toda a franqueza”, que não achava que fosse “conveniente” representá-lo, devido à sua “intervenção mais recente”.

A chamada de mais de quatro minutos — que só no último minuto é correspondida, quando uma assistente da Uría Menendez a passa a Proença de Carvalho — foi apresentada pela defesa de Orlando Figueira aos juízes da Operação Fizz, esta segunda-feira, ao pedir que algumas escutas do dia 23 de fevereiro pudessem ser juntas aos autos do julgamento para servirem de provas — um pedido aprovado esta quinta-feira pelo tribunal.

“Não ouvi a escuta e não comento para já”

O áudio da conversa telefónica entre os dois foi divulgada esta quinta-feira pelo jornal i. Daniel Proença de Carvalho sempre negou qualquer envolvimento na revogação do contrato de trabalho. “Isso são fantasias”, disse em resposta às suspeitas do seu envolvimento, ao jornal Expresso.

Entretanto, o advogado já revelou ao jornal Expresso que vai pedir à Ordem dos Advogados o levantamento do sigilo profissional para prestar o seu testemunho na Operação Fizz. “Não ouvi a escuta e não comento para já”, disse, acrescentando: “O conhecimento que eu tenha tido relativamente a este tema está sujeito a sigilo profissional e portanto eu tenho de ter a dispensa desse sigilo”.

(Artigo modificado no dia 2 de fevereiro com a informação de que Proença de Carvalho tinha dito “Isso são fantasias” ao Expresso e não na altura em que supostamente teria sido ouvido na primeira fase do inquérito, como estava escrito inicialmente — Proença de Carvalho nunca prestou declarações neste processo.)

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