O senado canadiano aprovou na noite de quarta-feira um projeto de lei que altera a letra do hino nacional, criando uma versão sem género. Onde antes se lia, no segundo verso, que a nação inspira “verdadeiro amor patriota em todos os seus filhos”, no masculino, passa a ler-se que a nação inspira “verdadeiro amor patriota em todos nós”.

O Canada! Our home and native land!
True patriot love in all thy sons command.

De acordo com a imprensa canadiana a proposta de alteração já era antiga, por se considerar a referência a “filhos” discriminatória, tendo sido feitas precisamente 12 tentativas de alterar a letra desde que, em 1980, O Canadá substituiu o God Save the Queen e se tornou oficialmente o hino nacional . Mas sempre sem sucesso. Desta vez, o diploma foi aprovado pela maioria no senado, apenas com a oposição do partido conservador.

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Os proponentes da alteração mostraram-se satisfeitos. À CBC, o senador independente de Ontario, Frances Lankin, afirmou estar “muito, muito contente” com a alteração. “Há 30 anos que tentávamos tornar o nosso hino nacional inclusivo para todos nós. Pode parecer uma coisa pequena, é só uma questão de duas palavras, mas é um passo enorme”, disse.

O mesmo não se pode dizer do partido conservador, que não concorda com a forma como o processo legislativo foi feito, defendendo que a população devia ter sido consultada e que a decisão não devia ter sido tomada “por um par de senadores”. Certo é que a lei foi aprovada e a letra do hino será mudada assim que a chefe de Estado do Canadá, a governadora-geral que representa a rainha de Inglaterra no país, carimbe o diploma.

A alteração incide apenas na versão inglesa do hino, e não na versão francesa, em que a letra é bastante diferente. Ainda assim, a versão bilingue, que mistura as duas línguas, é encabeçada pelos dois primeiros versos ingleses, onde se inclui a referência aos “filhos”, no género masculino.

O Canada! Our home and native land!
True patriot love in all thy sons command!
Car ton bras sait porter l’épée,
Il sait porter la croix!

O primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, aplaudiu a alteração à lei, dizendo tratar-se de “mais um passo positivo rumo à igualdade de género”. A aprovação do diploma está a ser vista como a concretização “do último desejo do deputado liberal Mauril Belanger”, já que a proposta, que defendia, deu entrada na Casa dos Comuns no início de 2016 depois de Mauril Belanger ter sido diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica.