Os republicanos querem divulgar o documento e o Presidente Donald Trump apoia (entusiasticamente) a ideia. Os democratas criticam essa divulgação e os serviços de informações e forças de segurança norte-americanos revelaram “sérias preocupações” com a possibilidade de o memorando poder ser tornado público. E o que é que o documento tem de especial? Poderá provar que a investigação a uma eventual intervenção russa na eleição presidencial que deu a vitória a Donald Trump nasceu, em parte, de informações politicamente vinculadas à campanha da derrotada Hillary Clinton.

O enredo do caso que está a abalar a política norte-americana tem novos desenvolvimentos e ameaça deitar por terra a investigação judicial às suspeitas que rodeiam a eleição de Trump como presidente dos Estados Unidos. Ao final desta quinta-feira, o Washington Post escrevia que Donald Trump estaria prestes a autorizar a divulgação do memorando e que o documento podia ser conhecido ainda esta sexta-feira, pela mão do Partido Republicano.

O memorando de quatro páginas que saiu das mãos da equipa republicana no Comité de Informações da Casa dos Representantes, presidida pelo luso-descendente Devin Nunes, analisou a origem da investigação à campanha de Donald Trump.

Nessa investigação do Partido Republicano, escreve o Washington Post, concluiu-se que o ex-espião britânico que apresentou as primeiras suspeitas sobre a existência de mão russa na campanha de 2016 passou “informação errada” ao FBI. Informação que estaria ligada à campanha da candidata democrata e que, ainda assim, foi usada para sustentar um pedido de vigilância ao conselheiro de Trump, Carter Page.

Tump leu o relatório e, segundo fontes próximas, estava inclinado para autorizar a divulgação desse documento republicano, apesar das reservas já manifestadas pelos serviços de informações norte-americanos. O próprio FBI — diretamente visado em toda a novela política — já emitiu um comunicado oficial dando conta de que documento dos serviços do Partido Republicano contém informação classificada e incorreções.

Mas a possibilidade de a revelação poder fragilizar a investigação à campanha de Trump pode ter sobrepor-se a essas fragilidades. Sobretudo quando o documento visa, entre outras personagens, a intervenção de Rod J. Rosenstein, o procurador-geral que supervisiona a investigação de Robert S. Mueller III — dois nomes que Trump gostava de ver afastados de toda esta história.

No centro deste novo episódio está Devin Nunes, o rosto republicano na Casa dos Representantes. Nunes espera receber esta sexta-feira a luz verde da Casa Branca para, então, divulgar o documento que os seus serviços prepararam e que pode fragilizar a investigação ao presidente norte-americano eleito pelo mesmo Partido Republicano. Essa intenção colocou o congressista debaixo de fogo dos democratas e nas boas graças (de que tinha caído) dos seus colegas de partido.

Do lado democrata, o objetivo passa agora por derrubar o próprio Devin Nunes, acusando-o de criar uma “campanha para ocultar a verdade acerca do escândalo Trump-Russia”. Apesar dos argumentos esgrimidos por congressistas democratas, a intenção de afastar Nunes já esbarrou na nega de Paul Ryan, presidente da Câmara dos Representantes. “Se os agentes federais apresentaram informação enviesada ou fizeram alguma coisa errada”, isso tem de ser tornado público, defendeu Ryan, em defesa de Devin Nunes.

Afastado por Trump da direção do FBI, James B. Comey recorreu ao twitter para comentar o caso. “Todos deviam prestar atenção às palavras do FBI. Gostava de que mais líderes nossos o fizessem. Mas prestem atenção: a história americana mostra que, no longo prazo, as pessoas desonestas e mentirosas nunca vencem a guerra, desde que as pessoas boas se façam ouvir.”