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Quer ser senhorio de uma casa em Lisboa por 50 euros? A Housers ajuda-o

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A Housers, uma plataforma de crowdfunding imobiliário, lançou o segundo projeto de investimento imobiliário. A partir de 50€ qualquer um pode investir num imóvel em Lisboa e receber parte da renda.

Gostava de ser dono de uma casa em Lisboa? A Housers, uma plataforma de crowdfunding imobiliário, lançou o segundo projeto em Portugal para angariar 188 mil euros para comprar um apartamento na capital. Com um investimento mínimo de 50 euros pode receber parte da renda de um T1 no bairro de Santos ao Rego.

A ideia de criar uma plataforma online de crowdfunding surgiu em Espanha, em 2016, através dos espanhóis Tono Brusola e Álvaro Luna. Rapidamente expandiram o negócio para Itália, em maio de 2017. Atualmente têm mais de 74 mil utilizadores em todo o mundo. Destes, cerca de 1500 são portugueses. Os projetos de angariação de fundos são para comprar casas em Espanha, Itália e Portugal, apesar de estarem abertos a investidores de todo o mundo.

Mas como é que tudo funciona? A Housers é uma espécie de Kickstarter para casas. Um site onde promotores apresentam projetos e, quem queira investir, pode ganhar dinheiro recebendo uma parte proporcional da renda — que a Housers recolhe — do dinheiro que investiu. Em declarações ao Observador, João Távora, responsável da Housers em Portugal, explica:

O que a Housers faz é a ponte entre o investidor (a pessoa interessada em emprestar dinheiro) e o promotor (a pessoa interessada em receber financiamento)”. O objetivo da empresa é “dar acesso aos investidores a projetos a que não teriam acesso [económico] de outra forma“.

O lançamento do segundo projeto de investimento num imóvel em Portugal surge no seguimento do sucesso alcançado com o primeiro, a compra de uma casa em Campo de Ourique. Tendo ficado online a 11 de outubro, quando a Housers foi lançada em Portugal, passados apenas 20 dias a meta foi atingida. Foram 198 mil euros que o promotor procurou e que 453 investidores, com uma média de 400 euros de investimento, aplicaram acreditando que terão um retorno superior. Tanto empresas como particulares investiram no projeto. Apesar de 50% dos investidores no primeiro imóvel vendido em Portugal serem espanhóis, 23 portugueses tornaram-se também ‘donos’ do apartamento naquele bairro, estando atualmente a receber juros correspondentes à renda do imóvel.

Para poder investir basta entrar no site da Housers e inscrever-se. Sendo português, basta a informação do cartão de cidadão e o Lemoway — a plataforma bancária eletrónica que gere o dinheiro aplicado na Housers pelo utilizador (semelhante ao PayPal) — autenticará o utilizador. Este passo, explica João Távora, é para “evitar esquemas de lavagem de dinheiro”. Só após esse passo é que é possível investir dinheiro, por cartão de crédito ou transferência bancária. Depois? Investe-se e “os projetos vão dando juros, pode-se ir retirando o dinheiro dos juros, comprar títulos de outros projetos, etc.”, explica o responsável português.

João Távora conta ainda que “na prática é como se fôssemos todos senhorios a receber uma renda”. No entanto, “na realidade é um empréstimo à sociedade que faz a compra”. A comparação a senhorio é feita porque ao fazer o investimento “todos os meses os investidores recebem a parte da renda em forma de juros”.

Com este novo projeto apelidado de Cidade Universitária (por ser perto de um dos campus da Universidade de Lisboa, ao pé do Hospital de Santa Maria), o promotor, uma sociedade espanhola que já trabalhou com a Housers noutros projetos, procura arrecadar 188 mil euros. Em poucas horas na plataforma, o projeto contou com mais de 15 mil euros de 43 investidores. Depois de conseguido o investimento, o objetivo é comprar o imóvel, remodelá-lo e arrendá-lo. É só após o apartamento ser arrendado que o investidor começa a receber juros mensalmente.

Todos os passos, à semelhança de outros que procuram financiamento na Internet através de crowdfunding, são explicados na proposta que aparece no site. Como este segundo projeto português é também de “instant rent” (renda instantânea) o investidor pode retirar o dinheiro dos juros à medida que os vai recebendo. Contudo, até receber o montante proporcional referente à renda é preciso esperar que seja feita a reabilitação do apartamento. A plataforma oferece ainda outros projetos de investimento noutros países, todos relacionados com a compra de imóveis.

Dando um exemplo de como funcionaria o investimento neste projeto, que promete uma rentabilidade líquida de 3,7%, João Távora explica que, com 100 euros aplicados na plataforma, passado um ano o utilizador arrecadaria 3,7 euros. Deste valor, 10% (37 cêntimos) serão para a Housers, que cobra a comissão apenas pelo lucro.

A qualquer momento o utilizador pode, no mercado do site — o marketplace –-, vender os títulos que adquiriu do projeto a um preço superior ou menor (cada título corresponde a um euro). Assim pode reaver o dinheiro antes do prazo dado pelo promotor e investir noutras opções de investimento imobiliário na plataforma. No caso do novo projeto no Bairro do Rego, passados cinco anos de arrendamento, o imóvel será vendido. Aqui a rentabilidade do dinheiro investido é mais cativante: 26,67%.

No entanto, como em qualquer investimento, há riscos. Se o investidor quiser abandonar o investimento antes de tempo, pode sempre correr o risco e, no marketplace, vender a parte que tem por um valor menor ao que tinha. Também há o risco de o promotor ter de abandonar o projeto, mas aí a Housers funciona como intermediário para convocar todos os investidores e, numa votação, decidir o destino do imóvel.

Atualmente a Housers emprega duas pessoas a tempo inteiro nos escritórios em Portugal, mais duas em Madrid a auxiliar a operação portuguesa. Ao todo (em Portugal, Espanha e Itália) tem mais de 50 trabalhadores.

Artigo corrigido a 1 de junho de 2018, às 18h45. Onde se lia que o utilizador detém parte do imóvel, alterou-se para: “Um site onde promotores apresentam projetos e, quem queira investir, pode ganhar dinheiro recebendo uma parte proporcional da renda na forma de juros — que a Housers recolhe — do dinheiro que investiu”. Onde se lia “tornaram-se também donos”, lê-se agora “tornaram-se também ‘donos'” para clarificar que os utilizadores não são diretamente donos do imóvel. 

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