O Governo espanhol poderia ter acionado o artigo 155 que suspende a autonomia da Catalunha sem ter recorrido aos tribunais, defende o antigo presidente do Governo espanhol, Felipe González. Em entrevista ao jornal El Mundo, a primeira que o ex-líder do PSOE dá ao jornal mais conotado com a direita, González é mais crítico do antigo presidente da Catalunha e defende que a região está mais perto de perder o estatuto de autonomia do que a conseguir a independência.

Considera que se fala muito nos direitos de Carles Puigdemont, que são indiscutíveis, mas pouco dos seus deveres e obrigações. E uma delas, sublinha, é a de se apresentar perante a justiça porque é um fugitivo (está na Bélgica), mas o ex-presidente da Catalunha, não parece estar disposto a assumi-la. Para Gonzaléz, que foi líder do Governo entre 1982 e 1996, Puigdemont imunidade parlamentar com impunidade.

Uma pessoa acusada de cometer delitos graves — Puigdemon foi acusado pela justiça espanhola dos crimes de rebelião, sedição e desvio de fundos — não pode pretender ficar impune por causa de um resultado eleitoral. Para o ex-líder do Governo espanhol, a grave irresponsabilidade da situação institucional na Catalunha é o resultado da grave irresponsabilidade de Puigdemont e dos que o rodeiam.

González sublinha que a ERC (Esquerda Revolucionária da Catalunha) pensa que só existe um caminho — ainda este domingo há notícias de que o partido enviou uma delegação a Bruxelas para negociar com Puigdemon a sua investidura como o novo líder do Governo regional. “Têm de perceber que estão mais perto de perder a autonomia do que ganhar a independência”.

Questionado sobre o que deve fazer o Governo espanhol, caso os independentistas insistam com uma investidura simbólica de Puigdemont, o ex-líder do PSOE insiste que uma investidura virtual não garante a impunidade. Estão a repetir o 6 e 7 de setembro (quando o Parlamento catalão aprovou as leis de referendo e a transição de forma unilateral). Espero que desta vez o Governo não faça o mesmo que fez em 6 e 7 de setembro (quando o Parlamento catalão aprovou as leis de referendo e as regras para a transição unilateral). Esperar para ver o que vai acontecer.

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