A Cruz Vermelha considera que as migrações no Sahel são um “problema complexo” e desafia os Governos a criarem condições para fixar os jovens nos respetivos países, defendeu esta segunda-feira, na cidade da Praia, fonte ligada à organização.

O desafio foi lançado pelo presidente do Grupo ‘Sahel Plus’ do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Denis Bakiono, à margem de uma assembleia-geral e de uma mesa redonda da organização regional, realizada na cidade da Praia.

“A migração é um problema complexo, que envolve outras questões, como os conflitos, a falta de emprego, que levam os jovens a aventurar-se”, constatou Danis Bakiono, que é também presidente da Cruz Vermelha do Burkina Faso, considerando que os Governos e outros parceiros devem criar condições locais para evitar a migração no cinturão de África.

A diretora regional da Federação Internacional da Cruz Vermelha, Fatoumata Traoré, disse também que o problema poderá ser resolvido com “trabalho conjunto” entre as várias instituições e a formação dos jovens, que representam a maioria das populações nos países que constituem a região.

“Vivemos num mundo de competição e a qualidade dos recursos humanos é fundamental”, sublinhou a responsável regional da Cruz Vermelha, que apontou ainda a insegurança alimentar, o risco de epidemias e as inundações como outros problemas que a organização humanitária enfrenta na região africana do Sahel.

O presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde, Arlindo de Carvalho, disse que todos esses problemas, a que acrescentou os deslocados de guerra e a pobreza, implicam uma “intervenção muito forte” das sociedades nacionais, do comité internacional e da federação internacional da Cruz Vermelha.

Notando que são questões que têm a ver com a realidade africana “na sua vertente desfavorável”, o responsável cabo-verdiano disse que é preciso “mobilizar recursos, atenções e meios para fazer face a essas grandes demandas” na região e em todo o continente africano.

A Assembleia Geral do Grupo “Sahel Plus” e a mesa redonda sobre “Accès Plus Sûr” do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho decorrem até quinta-feira, na cidade da Praia, com a presença dos 10 países do grupo Sahel e de representantes de países europeus como Inglaterra, Dinamarca, Luxemburgo, Espanha, Bélgica, França e Itália.

Em declarações à imprensa, Arlindo de Carvalho disse que Cabo Verde quer ter um papel “muito forte” no Grupo Sahel Plus, porque muitos dos assuntos tratados na organização têm a ver com a realidade cabo-verdiana, como as catástrofes, a segurança alimentar e a resiliência.

“Quando se fala destas realidades, Cabo Verde tem muita coisa a dizer e é nossa função e preocupação aproveitar a presença dos colegas das sociedades africanas, europeias e das representações da federação e do comité para abordarmos uma estratégia de intervenção nestes domínios”, sustentou.

O encontro foi aberto pelo ministro de Estado, da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares de Cabo Verde, Fernando Elísio Freire, que defendeu uma “forte cultura de voluntariado” no país, envolvendo as famílias, as escolas e as empresas.

Num ano em que Cabo Verde enfrenta a maior seca dos últimos 40 anos, o ministro disse que o Governo está a trabalhar num conjunto de reformas para reforçar as ações das organizações da sociedade civil, para mudar mentalidades e tornar o país “muito mais resiliente”.