Super Bowl

Philadelphia derrotam os Patriots de Tom Brady e vencem Super Bowl pela primeira vez

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Nick Foles, um "quarterback" suplente (que há meses esteve para se retirar da modalidade), levou os históricos Eagles à primeira vitória de sempre na Super Bowl. A cidade de Philadelphia faz a festa.

Nick Foles foi a estrela (improvável) da partida. Tom Brady jogou lesionado e não conseguiu dar a volta no final

Getty Images

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Os Philadelphia Eagles venceram a primeira Super Bowl da sua (longa) história, batendo os New England Patriots num autêntico tiroteio de futebol (americano) ofensivo. Ao contrário da reviravolta do ano passado, contra os Falcons, desta vez Tom Brady conseguiu dar a volta ao resultado mas os Patriots não seguraram a vantagem. Nick Foles, um quarterback suplente que há poucos meses esteve para se retirar da modalidade, foi a estrela improvável da 52º edição da Super Bowl.

Philadelphia Eagles 41 – 33 New England Patriots

Veja aqui os melhores momentos da partida:

Posted by NFL on Sunday, February 4, 2018

Foles tinha tido uma época sólida em 2013, ao serviço dos Philadelphia Eagles, mas acabou por ser enviado para os St. Louis Rams (agora Los Angeles Rams) numa troca com outro quarterback. Na nova equipa, foi o descalabro. E quando os Rams tiveram a oportunidade, em 2016, de escolher um dos melhores quarterbacks à saída da faculdade, foi mostrada a porta da saída a Foles. Nessa altura, equacionou sair da modalidade, com 27 anos.

Para pensar na vida, foi fazer uma viagem de campismo com o cunhado. Rezou muito, conta a CNN. Quando regressou, estava disposto a retirar-se mas admitiu o regresso à liga se fosse para jogar para o treinador que o escolheu no draft, Andy Reid. Assim, voltou para os Eagles, para ser suplente de um dos jovens quarterbacks mais promissores da liga: Carson Wentz.

Esta época, com Foles no banco, Wentz estava a ter um ano de sonho até que, à 14º jornada, rompeu os ligamentos de um joelho e… acabou-se a época de sonho para Wentz. Apesar de milhares de fãs dos Eagles terem, nessa altura, levado as mãos à cabeça e dado a época por perdida — logo esta, que parecia estar a correr tão bem –, os Eagles conseguiram mais vitórias na reta final da época e venceram, também, os dois jogos de playoff que os trouxeram até à Super Bowl deste domingo.

De quase retirado da modalidade para líder da equipa campeã — é por isto que alguém comentava nas últimas semanas que esta época dos Eagles dava um filme.

À sua maneira, sem cometer erros, Nick Foles tornou-se o segundo quarterback suplente a vencer o troféu máximo: o primeiro tinha sido… Tom Brady, em 2001. E outra curiosidade: nesta Super Bowl, Foles passou a ser o primeiro quarterback da história a fazer e, também, a receber passes para touchdown. Para a história desta Super Bowl vai ficar esta jogada:

Perto do final da primeira parte, e perante o risco de falhar e entregar a bola aos Patriots a centímetros da linha final, o treinador Doug Peterson mostrou que não conhece o conceito de medo. Levou Foles a afastar-se do local onde o quarterback receberia a bola, a defesa detetou uma entrega direta ao running back, mas este correu só um segundo com ela antes de a entregar a outro colega, que com um passe simples encontrou Nick Foles, que se tinha esgueirado, completamente desmarcado, para a “Terra Prometida”.

Foi uma das jogadas de “truque” mais bem desenhadas da história da NFL. E, curiosamente, os Patriots tinham tentado, momentos antes, um passe-surpresa para Tom Brady, sem sucesso. Ao intervalo, o treinador dos Eagles explicou: “trabalhámos nesta jogada várias vezes nas últimas semanas, e os jogadores executaram-na na perfeição”.

Um touchdown no final da primeira parte era exatamente o que os Eagles precisavam para ir para o balneário com maior confiança. Mas do outro lado, sabia-se, estava Tom Brady, o “Comeback Kid” que já não é “Kid” nenhum — aos 40 anos, o jogador mais premiado de toda a história da liga de futebol americano já deu a volta a resultados bem mais negativos do que os 22-12 que estavam no marcador, ao intervalo.

Ao início da segunda parte, Brady regressou com toda a força. O ajuste ao intervalo que terá existido foi os Patriots lembrarem-se que tinham uma arma chamada Rob Gronkowski, um tight end praticamente imparável. “Gronk” só tinha recebido um passe em toda a primeira parte mas na primeira sequência ofensiva dos Patriots na segunda parte o tight end recebeu a bola uma mão cheia de vezes — marcaria dois touchdowns em poucos minutos e os Patriots passariam para a dianteira do marcador pela primeira vez.

A história parecia repetir-se, tal como no ano passado: depois de uma primeira parte em baixo de forma, os Patriots encontravam a chave do jogo mesmo a tempo de acabar com a festa para os adversários.

Mas houve duas diferenças cruciais entre este jogo e o embate com os Falcons, no ano passado, onde os Patriots estiveram a perder por 25 pontos e deram a volta. Em primeiro lugar, com uma lesão na mão direita Brady nunca pareceu, por vezes, um pouco mais desafinado do que é normal. E, por outro lado, ao contrário dos Falcons, os Eagles não se deixaram atropelar pelo rally de Brady.

Num jogo em que só houve um punt (pontapé na bola para ceder a posse à outra ofensiva, mas numa posição mais recuada no terreno), esta foi a Super Bowl com maior número de jardas ofensivas totais. Com os Patriots a quererem recuperar, os Eagles foram respondendo, também, com pontos. E acabariam por marcar um touchdown decisivo com pouco mais de dois minutos para acabar, colocando-se com uma vantagem de 8 pontos.

Mesmo assim, 8 pontos em dois minutos pode ser uma missão difícil mas não era impossível para um quarterback como Tom Brady, e todas as pessoas no estádio sabiam disso. Um touchdown rápido e uma conversão de dois pontos levaria o jogo para prolongamento.

A última posse de bola para o melhor quarterback de sempre acabaria, porém, em desilusão. Brady não tinha sido tocado o jogo todo — e a única forma de o vencer é chegar a ele antes de conseguir passar a bola — mas a defesa dos Eagles derrubou-o e o jovem Derek Barnett conseguiu o strip fumble que haveria de matar o jogo. Vitória para os Philadelphia Eagles.

Para a cidade de Philadelphia, onde a polícia espalhou óleo nos postes para desencorajar que os adeptos subissem a eles em caso de vitória, este é o dia pelo qual aguardavam há décadas. Apesar de serem uma das equipas mais emblemáticas da NFL, nunca tinham ganho uma Super Bowl — apesar de terem estado lá duas vezes (perderam contra os Raiders e, na segunda vez, contra os Patriots).

Na realidade, o típico fã dos Eagles já estaria, por esta altura, cansado de corrigir quem dissesse que nunca tinham ganho o troféu máximo — só nunca o ganharam deste que ele se chama Super Bowl. Eis porquê: a liga NFL existe desde 1933, altura em que tinha apenas 16 equipas. Décadas depois, em 1966, oito equipas de uma liga rival juntaram-se às 16 da NFL, operação que é conhecida como a Fusão de ’66. Foram criadas mais algumas equipas e chegou-se às 32 atuais, divididas entre as duas conferências (AFC e NFC), cujos vencedores se defrontam na Super Bowl.

Ora, é verdade que desde a fusão os Eagles nunca tinham conseguido ganhar uma Super Bowl. Porém, antes da fusão os Eagles conseguiram vencer o título máximo três vezes, incluindo o campeonato de 1960, altura em que foram a única equipa que algum dia conseguiu derrotar os Green Bay Packers liderados pelo lendário treinador Vince Lombardi (que ainda hoje dá o nome ao troféu que é entregue ao vencedor da Super Bowl). Mas nessa altura a finalíssima não se chamava Super Bowl, pelo que formalmente é correto dizer que só agora Philadelphia venceu o troféu.

Quanto a Nick Foles, tendo em conta a forma como jogou nos últimos encontros, desde que foi chamado para substituir o lesionado Carson Wentz, o mais provável é que outra equipa tente recrutar os seus serviços no próximo ano, quando Wentz regressar. Há muitas equipas na NFL que precisam de um quarterback capaz — e não há muitos disponíveis que possam dizer que bateram Tom Brady e os Patriots numa Super Bowl.

Foles, que ainda não tem 30 anos, terá, uma vez mais, de pensar na vida: talvez outra viagem de campismo com o cunhado e muitas horas de oração estejam no seu horizonte próximo.

Para Tom Brady e os Patriots, a ESPN noticiou antes do jogo que Brady poderia reformar-se após esta Super Bowl (e o treinador, Bill Belichick, também), mas a notícia pareceu pouco sólida. Além disso, alguém acredita que o ultra-competitivo Tom Brady se vai retirar da modalidade com uma derrota num jogo em que esteve lesionado?

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