Cerca de 4,8 milhões de euros foram gastos na obra de construção de uma Estação de Tratamentos de Águas (ETA) em Mondim de Basto, a edilidade local chegou mesmo a realizar uma cerimónia de inauguração no dia 27 de março de 2008 mas o equipamento que devia captar, tratar, armazenar e distribuir água do rio Tâmega pelo concelho de Mondim de Basto nunca funcionou. Quase 10 anos depois, as instalações foram abandonadas, a ETA foi vandalizada e até os animais selvagens são visitas regulares.

O presidente da Câmara de Mondim de Basto, Humberto Cerqueira (PS), afirma que “a obra não foi pensada” e acusa o antigo Executivo, liderado pelo PSD, de lhe ter deixado uma “pesada herança”. Humberto Cerqueira diz que a autarquia não tem condições técnicas nem financeiras para pôr a obra a funcionar.

Pinto Moura, o anterior edil até 2009 eleito nas listas do PSD, garantiu à SIC que deixou a obra paga e pronta a entrar em funcionamento. Mas Humberto Cerqueira assegura que para colocar a ETA a funcionar seria necessário um valor superior a 500 mil euros — fundos que, alega o autarca, a Câmara de Mondim de Basto não tem.

O vereador Fernando Gomes (CDS) insiste que Bruxelas tem de ser informada sobre o investimento público que em nada deu resultado. Já há quatro anos, o vereador que não tem pelouros atribuídos alertou a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte para o problema. Em resposta, a Comissão diz que, em 2009, “insistiu na necessidade de ser obtida a garantia do cumprimento dos objetivos do projeto” e que tem acompanhado de perto as diligências do município para encontrar soluções.

O atual Executivo já fez uma nova candidatura a fundos comunitários para poder concluir o projeto mas a candidatura não foi aprovada.

Artigo foi corrigido às 23h10m, alterando-se a designação de Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) para Estação de Tratamento de Águas (ETA) de Mondim de Basto.