O padre Rui Pedro Carvalho, diretor do serviço de Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, disse esta quinta-feira que é “redutor” dizer que o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, aconselha os divorciados recasados a absterem-se de ter relações sexuais. “Não é D. Manuel quem aconselha, é o Papa João Paulo II. Esta recomendação já vem da exortação apostólica Familiaris Consortio, de 1981″, disse o sacerdote ao Observador.

O responsável do serviço que acompanha as famílias católicas no patriarcado de Lisboa citou aquele documento do Papa polaco, onde se lê que “quando o homem e a mulher [divorciados e casados de novo], por motivos sérios — quais, por exemplo, a educação dos filhos — não se podem separar, “assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos actos próprios dos cônjuges“.

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Para o padre Rui Pedro Carvalho, “o que o patriarca fez foi pegar nos documentos da Igreja e aplicá-los na diocese” de Lisboa. “Imaginemos um casal, uma segunda união, em que ambas as pessoas são fiéis e querem aproximar-se novamente da Igreja, mas apercebem-se de que há um primeiro casamento que não foi dissolvido. Aquilo que se propõe é que para viver nesta comunhão total vivam como irmãos, que vivam em continência“, esclarece.

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E porquê agora? Porque o papa Francisco pediu a cada bispo para pegar na [exortação apostólica] Amoris Laetitia e para a aplicar na sua diocese. O cardeal-patriarca fez precisamente isso”, continua o sacerdote, explicando que o documento de João Paulo II é um dos documentos citados para sustentar a aproximação da Igreja aos divorciados recasados.

Esta quinta-feira, o jornal Público noticiou que o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, aconselha os divorciados recasados a absterem-se de relações sexuais. A notícia refere-se ao documento publicado esta semana por D. Manuel Clemente referente à forma como a diocese irá aplicar as orientações decorrentes da exortação apostólica Amoris Laetitia relativas à possibilidade de admissão dos divorciados recasados aos sacramentos católicos.

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Para Rui Pedro Carvalho, este documento, na linha do apelo do papa Francisco para que cada bispo implemente as orientações da exortação apostólica na sua diocese, representa um “caminho” rumo à “integração de todos na vida da Igreja”. “Até aqui, os recasados não podiam ser catequistas, chefes de escuteiros, etc. Há aqui um caminho da parte da Igreja para ajudar estas segundas uniões a estarem mais integradas na vida da Igreja, mesmo que nem para todos os casos o caminho seja a comunhão sacramental“, sublinha o sacerdote.