Venezuela

Há portugueses na Venezuela sem “qualquer rendimento”, alerta José Cesário

O ex-secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, diz que a comunidade portuguesa não escapa à crise venezuelana, afirmando que há pessoas sem "qualquer rendimento" e que faltam ajudas.

António Cotrim/LUSA

O ex-secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, afirma que falta o essencial para viver a muitos portugueses residentes na Venezuela, que atravessa uma grave crise económica. O deputado do PSD, que se encontra numa visita de seis dias ao país sul-americano, contou à TSF que muitos portugueses “não têm praticamente qualquer espécie de rendimento” e que os consulados não conseguem ajudar todos os que precisam. “Portugal não pode ignorar o que se passa”, disse.

José Cesário diz saber de “relatos de situações de idosos que estão praticamente abandonados e mal têm para comer” e que mesmo quem tem negócios na Venezuela, cujo salário mínimo ronda os 3 euros, “neste momento” não consegue ter “qualquer tipo de rendimentos”.

O ex-secretário de Estado refere ainda que há pessoas com “cancro, problemas renais” e cardiovasculares que “não têm medicamentos”, dos quais há “escassez”, nem acesso a “tratamentos de qualquer espécie”.

O apoio à comunidade portuguesa, diz José Cesário à TSF, é cada vez menor: muitas organizações deixaram de o fazer por falta de meios e os consulados portugueses, que se encontram em Valencia e Caracas, não conseguem processar todos os pedidos de ajuda.

“Os processos que entraram no consulado geral de Valencia há um ano e dois meses estão agora a ser processados”, disse. Estes processos são relativos a “novas nacionalidades, que só depois de estarem integradas em Lisboa na conservatória nos serviços centrais é que podem ter sucesso. Quer no cartão do cidadão quer no passaporte.” Em Caracas, conta Cesário, a situação não é tão grave, “mas não deixa de ser também” — lá, os pedidos demoram cerca de seis, sete meses a ser processados.

A crise na Venezuela dura desde 2012 e da governação de Hugo Chávez, tendo-se arrastado até aos mandatos de Nicolás Maduro. Entre janeiro e dezembro de 2017, a inflação do país sul-americano atingiu um acumulado de 2.616%.

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