Houve uma rebelião na ala E do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) — onde estão mais de 300 reclusos — numa situação que chegou a estar fora de controlo dos guardas. O presidente do Sindicato Independente da Guarda Prisional, Júlio Rebelo, em declarações à RTP 3, relatou uma “situação muito tensa” no EPL que partiu do facto de os reclusos não terem “possibilidade de ter as visitas dos familiares na totalidade“, devido à falta de guardas prisionais. O diretor-geral dos Serviços Prisionais, Celso Manata, tentou desvalorizar a situação, mas confirmou ao Expresso que “os presos ficaram obviamente enervados, gritaram, bateram nas portas e juntaram-se no gradão [da Ala E] que acabou por cair”.

Antes disso, contactado pelo Diário de Notícias, o porta-voz do EPL garantiu que não houve distúrbios, dizendo que — na sequência da falta de guardas — o  Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP) tem estado no estabelecimento nesse horário como medida preventiva. Depois disso, também ao DN, o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Jorge Alves, reiterava que houve “um problema ao final da tarde na Ala E“.

O diretor-geral dos Serviços Prisionais admitiu depois ao Expresso uma situação de alguma tensão, que obrigou à chamada do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP) mas acrescentou que “em momento nenhum houve necessidade de utilizar a força física. Não há nenhum motim no EPL“.

A versão não bate com a de Júlio Rebelo que contou na RTP 3 que o que provocou a ira dos reclusos foi o facto de “alguns só terem 10 minutos nas visitas com as famílias” (quando têm direito a uma hora), mas também a “medicação não foi entregue ou atrasou-se e a alimentação não foi servida a horas.”  Depois disto, os reclusos “pegaram fogo a alguns itens da própria ala” e “derrubaram o gradão de segurança da ala”.

O sindicalista dizia que a “situação é muito grave“, uma vez que podia existir  um “efeito dominó” nos restantes estabelecimentos prisionais. Júlio Rebelo dizia também que o GIPS estava a “preparar-se para intervir” antes da ordem ter sido reposta. Júlio Rebelo atribui estes problemas à falta de pessoal, já que os guardas prisionais têm-se recusado a fazer horas extraordinárias.