O Congresso Nacional Africano (ANC) deu ordem ao Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, para apresentar a sua demissão do cargo. A notícia foi feito na madrugada desta terça-feira e confirmada em conferência de imprensa às 14h00 locais (12h00 de Lisboa).

Ao contrário do que chegou a avançar a televisão estatal sul-africana, o Comité Nacional Executivo (NEC, na sigla inglesa) não apresentou um prazo de 48 horas para Jacob Zuma apresentar a demissão. Na declaração feita pelo secretário-geral da ANC, Ace Magashule, foi dito que o Presidente deve responder amanhã — mas que, formalmente, não há prazo para a resposta.

“Estamos à espera que o Presidente responda amanha. Tenho a certeza de que o Presidente vai responder. Amanhã. Não há prazo, amanhã o Presidente vai responder. Não sei se lhe devemos chamar um prazo, mas eu sei que o Presidente vai responder amanhã”, disse Ace Magashule.

O secretário-geral da ANC defendeu ainda que o sucessor de Jacob Zuma deve ser o presidente do partido, Cyril Ramaphosa, que esteve reunido com o Presidente da África do Sul depois da reunião do NEC. “O coletivo do NEC acredita que o presidente Cyril Ramaphosa deve assumir a presidência de acordo com a nossa Constituição. Não podemos ter outro presidente que não seja presidente da ANC”, referiu.

O atual chefe de Estado, que enfrenta acusações de corrupção, pode recusar demitir-se mas, nesse caso, o ANC pode apresentar no parlamento uma moção de censura.

O partido de Jacob Zuma, o Congresso Nacional Africano (ANC), está reunido em Pretória para, como afirmou o seu líder, Cyril Ramaphosa, “finalizar” a questão da saída antecipada do Presidente da África do Sul.

Os 107 membros do Conselho Nacional Executivo do ANC estão reunidos hoje num hotel da capital da nação sul-africana para uma decisão sobre o futuro do Presidente da África do Sul.

O conselho tem o poder de “lembrar” Jacob Zuma sobre o ocorrido em 2008, quando o Presidente Thabo Mbeki, que sucedeu no cargo a Nelson Mandela, renunciou por falta de apoio do ANC no parlamento.

Depois de ter ultrapassado sete moções anteriormente, o Presidente Zuma vai enfrentar em 22 deste mês uma nova moção de censura parlamentar, pedida por um partido da oposição.

Após deixar a presidência da formação no último congresso do ANC, em dezembro, a favor de Ramaphosa — que não era o seu candidato preferido —, a pressão para que o chefe de Estado abandone o poder aumentou, especialmente nas últimas semanas.