A Remington, uma das mais conceituadas fabricantes de armas norte-americanas, foi criada em 1816. Construiu espingardas, revólveres e pistolas para uma guerra civil, duas guerras mundiais e gerações de apaixonados por armas. Mas agora, mais de 200 anos depois, está falida.

A empresa declarou insolvência mas vai utilizar o artigo 11 da Lei da Falência norte-americana, que permite a remoção de 700 milhões de dólares de dívida — do valor total de 950 milhões — e a reestruturação financeira da Remington. Logo, e apesar da mancha na reputação da fabricante de armas, é pouco provável que a empresa deixe de existir. 

Mas a Remington é apenas mais um exemplo da queda abrupta da venda de armas nos Estados Unidos desde que Donald Trump tomou posse. O The Guardian conta que os lucros da American Outdoor Brands, dona da Smith & Wesson, caíram 90% ao longo dos anos: de 32 milhões para 3,2 milhões de dólares. A venda de armas de fogo, que conheceu na administração Obama uma época áurea, está agora a sofrer uma queda histórica e repentina.

A explicação é simples mas algo contraditória: os norte-americanos que possuem armas viram nos dois mandatos de Barack Obama o período mais ameaçador no que toca à legislação de compra e venda destes objetos. No dia seguinte à reeleição de Obama e no pós-massacre de Sandy Hook – que matou 26 pessoas em 2012 -, as vendas tiveram picos inéditos e a corrida às lojas de fabricantes de armas foi intensa.

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Mas desde que Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos, em novembro de 2016, a história mudou. Os entusiastas já não sentem a necessidade de adquirir revólveres, espingardas ou pistolas em massa, já que a posição de Trump sobre o assunto é muito mais branda do que era a de Obama.

Ainda assim, os Estados Unidos são o país com mais armas por pessoa: cada 100 cidadãos têm 88 armas. Apenas 3% da população possui uma média de 17 armas por pessoa e existem 7,7 milhões de chamados “super donos” que têm entre 8 a 140 exemplares cada um.