Crescimento Económico

INE divulga crescimento da economia portuguesa no ano passado

O INE divulga a estimativa rápida sobre o crescimento económico do conjunto de 2017, que deverá ter rondado os 2,7% impulsionado pelo aumento do investimento e das exportações.

NUNO VEIGA/LUSA

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga esta quarta-feira a estimativa rápida sobre o crescimento económico do conjunto de 2017, que deverá ter rondado os 2,7% impulsionado pelo aumento do investimento e das exportações, segundo analistas contactados pela Lusa.

Caso se confirmem estas previsões, a economia portuguesa terá um dos crescimentos anuais “mais saudáveis desde que Portugal entrou na moeda única”, segundo disse à Lusa o professor da Universidade Católica, João Borges de Assunção. É preciso recuar ao ano 2000 para encontrar um crescimento do PIB superior a 2,7%, sendo que nesse ano a economia avançou 3,8%.

De acordo com a média das estimativas recolhidas pela agência Lusa, o Produto Interno Bruto (PIB) terá aumentado 2,7% em termos anuais no ano passado, 2,4% no quarto trimestre em termos homólogos e 0,6% em cadeia.

A confirmarem-se estas estimativas sobre o último trimestre do ano passado, isso significa que a economia acelerou ligeiramente no quarto trimestre face aos três meses anteriores e abrandou em termos homólogos. Recorde-se que o INE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,5% no terceiro trimestre face ao mesmo período de 2016 e 0,5% face ao trimestre anterior.

O economista-chefe do Montepio, Rui Serra, justifica a aceleração do crescimento em 2017 face ao ano anterior sobretudo com o investimento, “que terá crescido a bom ritmo no ano passado”, embora tenha exigido maior importação de equipamentos, dando um “ligeiro contributo negativo às exportações líquidas” de importações.

Para o crescimento anual da economia, António da Ascensão Costa, professor do ISEG, destaca a aceleração do consumo privado, que deverá ter aumentado 2,5% e do investimento, “que passou de um crescimento de 1% em 2016 para 9 ou 10% em 2017”.

“O consumo público praticamente não mexeu portanto são aquelas duas componentes da procura que deram maior contributo”, acrescenta o economista do Grupo de Análise Económica do ISEG.

O investimento (com um crescimento a rondar os 9,5% face a 2016) e as exportações (a aumentarem 7%) também são apontados como fatores essenciais por João Borges de Assunção, que acrescenta o impulso dado pela recuperação da zona euro e pela política orçamental, que “também pode ter dado um pequeno contributo para o crescimento de curto prazo, com a anualização dos aumentos que vinham desde 2016”.

O ISEG é o mais otimista, ao estimar que a economia portuguesa tenha crescido 2,7% em termos anuais, 2,5% em termos homólogos no quarto trimestre e 0,8% em cadeia.

Segue-se o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica, que aponta para uma melhoria do PIB de 2,7% no ano passado, com um crescimento homólogo de 2,4% e de 0,7% em cadeia nos últimos três meses de 2017.

Já o Montepio e o BBVA preveem que a economia portuguesa tenha crescido 2,6% no conjunto do ano, apontando para um crescimento de 0,4% em cadeia e de 2,2% em termos homólogos entre outubro e dezembro de 2017.

No Orçamento do Estado de 2018, divulgado em outubro, o Governo reviu de 1,8% para 2,6% a estimativa do crescimento económico de 2017. Em dezembro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alinhou-se com o Governo e, na semana passada, a Comissão Europeia melhorou a sua previsão para 2,7%.

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