BCE

Parlamento Europeu chumba Guindos para o BCE. Mas quem manda é o Eurogrupo

Parlamento Europeu prefere o irlandês Philip Lane, mas a decisão só será tomada no Eurogrupo da próxima segunda-feira. Luis de Guindos, apoiado por Costa e Centeno, continua confiante na eleição.

AFP/Getty Images

A vida não está fácil para Luis de Guindos agarrar um grande cargo europeu. Na corrida à sucessão de Vítor Constâncio na vice-presidência do Banco Central Europeu, o ministro da Economia espanhol teve a primeira derrota na quarta-feira. Segundo o El Español, a Comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu considerou o governador do Banco da Irlanda, Philip Lane, como um candidato “mais convincente“. Além disso, as bancadas da esquerda, lideradas pelos socialistas europeus, manifestaram “reservas” sobre a nomeação de Guindos. Porém, embora importante, a posição do Parlamento Europeu não é vinculativa.

Aliás, quem vai tomar a decisão final são os ministros das finanças do Eurogrupo, que vão eleger o novo vice-presidente do BCE na reunião da próxima segunda-feira, 19 de fevereiro. E aí Guindos continua a ser, nas palavras do El Español, um “super favorito“. Além do apoio de ministros de Finanças da sua família política (o Partido Popular Europeu), Guindos conta ainda com o apoio de alguns socialistas europeus. Além disso, pode interessar à Alemanha continuar a ter um país do Sul na direção do BCE para poder ter um candidato à presidência na sucessão de Mario Draghi em 2019.

Só que Guindos chumbou no primeiro exame. Os seus falhanços em Bruxelas não são novos: o ministro da Economia espanhol e, durante muito tempo apontado como candidato à presidência do Eurogrupo, chegou a perder para Jerome Dijsselbloem. Antes de assumir que Mário Centeno era candidato à presidência do Eurogrupo, António Costa chegou a apontar o ministro da Economia espanhol (que é também ministro das Finanças) como o candidato apoiado por Portugal ao Eurogrupo. Mas Luis de Guindos é do PPE (direita europeia) e os socialistas europeus não abdicavam do lugar. Centeno começou a ser hipótese e, numa habitual união ibérica, Espanha foi um dos principais apoios de Centeno. Moeda de troca? Apoiar Guindos na corrida ao BCE.

Centeno foi eleito, Guindos ainda não. Mas disso Portugal não tem culpa. Costa já disse que apoia o espanhol para o BCE, tal como vários ministros das Finanças socialistas: além de Mário Centeno, também o eslovaco Peter Kazimir e o maltês Edward Scicluna.

Ainda assim, segundo o El Español, a opinião do Parlamento Europeu — da preferência por Philip Lane — foi transmitida esta quinta-feira ao presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, e ao ministro das Finanças da Bulgária, Vladislav Goranov, cujo país ocupa a presidência rotativa do Ecofin (ministros das Finanças da União Europeia). Mas o próprio De Guindos desvaloriza a “negativa” do Parlamento Europeu: “O importante é o que se vai passar no Eurogrupo e no Ecofin na próxima semana”. O espanhol disse ainda estar “otimista”, já que os apoios são “suficientes” para chegar à vice-presidência do BCE.

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