Meses depois da controversa demissão, o ex-chefe de gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, fala abertamente sobre os seis meses em que serviu o presidente dos Estados Unidos da América numa nova edição de bolso do livro “The Gatekeepers: How The White House Chiefs of Staff Define Every Presidency”, de Chris Whipple, a ser republicado a 6 de março.

Os relatos de Priebus constam num novo capítulo do livro que foi originalmente publicado em abril de 2017. A Variety publicou um excerto da obra esta quarta-feira, onde Priebus fala sobre o fiasco que foi a tomada de posse, mas também sobre a decisão de despedir James Comey, ex-diretor do FBI, da polémica relação de Trump com o Twitter e do facto de ter sido o próprio Priebus quem salvaguardou o cargo de Jeff Sessions, procurador-geral dos Estados Unidos.

Jeff Sessions e Doanld Trump terão tido uma intensa reunião na Sala Oval que quase levou à demissão do procurador-geral em maio do ano passado, pouco depois de o presidente dos EUA ter despedido James B. Comey, o então diretor do FBI que estava a liderar uma investigação a propósito da alegada interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016. Mike Pence, vice-presidente dos EUA, e Donald F. McGhan II, conselheiro da Casa Branca, estiveram presentes na reunião. Priebus não esteve, mas foi ele quem convenceu Sessions a ficar.

Sobre o fiasco que envolveu a tomada de posse de Donald Trump, a 20 de janeiro de 2017, Priebus conta que perante a cobertura noticiosa do evento, o presidente ficou “lívido” e começou a gritar com ele. “Ele disse: «Esta história é uma treta»”, recorda, citado pela Variety. “Ele disse: «Vieram mais pessoas. Houve pessoas que não conseguiram passar os portões…» Aconteceram muitas coisas diferentes que impediram as pessoas de ali chegar”. Trump não gostou da cobertura noticiosa à sua tomada de posse e, à data, chegou a dizer que os jornalistas estão entre os “seres mais desonestos à face da terra”. Não satisfeito mandou o seu porta-voz convocar os jornalistas à Casa Branca para lhes dizer que apesar das alegadas mentiras da “imprensa desonesta”, Trump teve a maior assistência de sempre, em todas as formas. Não foi o caso.

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Em entrevistas concedidas ao autor do livro em questão, que se junta agora ao polémico “Fire and Fury”, o ex-chefe de gabinete descreve como foi difícil impor disciplina na Casa Branca e controlar a fixação de Trump pelo Twitter. “Multipliquem por 50 tudo o que já ouviram [dizer sobre Donald Trump]”, disse Priebus, citado pelo jornal The New York Times. Para o ex-chefe de gabinete, trabalhar para Trump é como “montar o cavalo mais forte e independente que há”.

Donald Trump demite chefe de gabinete

Reince Priebus foi demitido em julho do ano passado, na sequência de uma semana particularmente atribulada. A decisão foi anunciada pelo próprio presidente dos EUA na respetiva conta de Twitter, num post onde também assegurou o nome do sucessor de Priebus: John F. Kelly, que até então desempenhava as funções de secretário de segurança interna. “Acho que o Presidente queria ir numa direção diferente e eu apoio-o nisso”, disse Reince Priebus em entrevista à CNN, poucas horas depois de ser conhecida a sua demissão. “Eu sempre lhe disse e ele concordou comigo: sempre que um de nós pensar que é preciso mudar de direção, vamos falar sobre isso e tratar do assunto.”