“The Florida Project”

À sombra e nos arredores do Disney World de Orlando, na Florida, encontra-se o Magic Kingdom, que apesar do nome não passa de um motel barato, situado numa zona onde se aglomeram e passeiam os menos favorecidos, os marginais, os marginalizados, os trânsfugas e os esquecidos da sociedade americana. É aí que moram Halley (Bria Vinaite), uma desempregada que não parece ter grande vontade de arranjar emprego, vive de expedientes e, ocasionalmente, da prostituição, e a sua irrequieta filha Monee (Brooklynn Prince), de seis anos, que passa o dia a brincar com os dois amigos mais chegados. O motel é gerido por Bobby (Willem Dafoe), que apesar de severo e rigoroso, é um homem decente, zelando pelas crianças que pululam pela zona e aturando as insolências e prevaricações da tatuadíssima Halley. Este filme de Sean Baker (“Tangerine”) explode com as cores berrantes e batidas pelo sol de Verão daquela secção pobre da cidade e das roupas dos protagonistas, é contado do ponto de vista de Monee e tem uma narrativa com a espessura do papel vegetal. Mas o realizador não opta pela ladainha miserabilista ou “sociológica”, e a naturalidade e energia da Monee de Brooklyn Prince e a firme presença do Bobby de Willem Dafoe (nomeado ao Óscar de Melhor Actor Secundário), seguram “The Florida Project”, cujo título se refere ao nome de código do Disney World quando ainda era apenas um projecto em papel.

“15.17 Destino Paris”

No seu novo filme, Clint Eastwood não se limita a recriar a tentativa de atentado ocorrida num comboio Thalys de alta velocidade em França, a 21 de Agosto de 2015, frustrada por três amigos americanos de férias na Europa e que seguiam nele. Ele recria a vida do trio nos EUA, desde a sua juventude até terem entrado no comboio naquele dia de Verão e impedido um muçulmano armado até aos dentes de fazer um massacre. E em vez de recorrer a actores profissionais, Eastwood foi buscar os três protagonistas do acontecimento – Alek Skarlatos, Anthony Sadler e Spencer Stone -, que se interpretam a eles próprios. Este é, depois de “Sniper Americano”(2014) e de “Milagre no Rio Hudson” (2016), o terceiro filme que o realizador e actor dedica a factos e personagens reais da história recente. “15.17 Destino Paris” foi escolhido pelo Observador como um dos filmes da semana e a crítica ficará disponível amanhã, dado Portugal ter sido um dos vários países onde não houve projecção para a imprensa.

“Black Panther”

Ryan Coogler, realizador de “Creed: O Legado de Rocky”, leva aqui ao cinema Black Panther,o primeiro herói negro dos “comics” com superpoderes, uma criação de Stan Lee e Jack Kirby para a Marvel, em 1966, ecoando acontecimentos da altura nos EUA, como o alastrar do movimento pelos direitos civis dos negros e o aparecimento de grupos políticos radicais como os Panteras Negras. Black Panther é a identidade secreta de T’Challa, o rei de um país africano ficcional, Wakanda, uma utopia étnica e ultra-tecnológica, com um governo monárquico e muitas mulheres nas esferas do poder e militar, que se desenvolveu mais do que qualquer outra nação devido a um minério vindo do espaço, o vibranium, mas cujo progresso foi deliberadamente ocultado do resto do mundo. Chadwick Boseman interpreta este super-herói africano, acompanhado por Andy Serkis, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Letitia Wright ou Martin Freeman. “Black Panther” foi escolhido pelo Observador como um dos filmes da semana, e pode ler a crítica aqui.