O 37.º Congresso do PSD começa esta sexta-feira à noite, arrancando com o discurso de ‘despedida’ de Passos Coelho e a primeira intervenção de Rui Rio como presidente do partido.

Com arranque previsto para as 21h00, no Centro de Congressos de Lisboa, os trabalhos serão abertos pelo líder da distrital lisboeta, Pedro Pinto.

Segue-se a intervenção de Pedro Passos Coelho, que esteve à frente do partido desde março de 2010, tornando-se o segundo líder com mandato mais longo no PSD, quase oito anos, só atrás de Cavaco Silva, que presidiu aos destinos dos sociais-democratas por quase uma década.

Rui Rio fará depois o seu primeiro discurso perante os congressistas, uma intervenção que, segundo fontes do partido, incidirá sobre o PSD e sobre o regime político, embora num estilo comunicacional mais virado para os portugueses do que para consumo interno.

Na quinta-feira à noite, a ‘newsletter’ do PSD, dedicada ao Congresso, destacava uma frase de Rui Rio, segundo a qual a reunião magna dos sociais-democratas dará início à “construção de uma alternativa de governo à atual frente de esquerda que se formou no parlamento”, garantindo o líder eleito que o atual executivo “terá na nova liderança do PSD uma oposição firme e atenta que visará, sempre, o interesse nacional”.

Eleito presidente da Comissão Política Nacional em 13 de janeiro, com 54% dos votos, Rio tem estado praticamente em silêncio no último mês.

Na sua proposta de estratégia global “Do PSD para o País” defende o reposicionamento do partido ao centro, a importância dos entendimentos de regime em nome do interesse nacional e coloca a vitória nas europeias do próximo ano como o seu primeiro desafio eleitoral.

Após as intervenções de Passos Coelho e Rui Rio, os trabalhos prosseguirão com a apresentação de parte das duas dezenas de propostas temáticas, sendo provável que o texto conjunto do comissário europeu Carlos Moedas e do ex-líder da JSD Pedro Duarte, intitulado “Combater a Desigualdade”, ainda seja apresentado no primeiro dia de trabalhos.

No sábado, serão apresentadas as restantes propostas temáticas e as quatro propostas de alterações estatutárias, cujo debate e votação deverá ser remetida para um momento posterior, eventualmente em Conselho Nacional.

No Congresso, serão eleitos e empossados no domingo os novos órgãos nacionais, cujos nomes têm estado fechados a ‘sete chaves’.

Apenas para o Conselho Nacional se sabe que o candidato derrotado nas últimas diretas, Pedro Santana Lopes, aceitou encabeçar a lista da direção.

A JSD, confirmou a Lusa, “apoiará institucionalmente a lista de unidade”, um sinal semelhante ao que deu no último Congresso, quando elementos desta estrutura autónoma integraram a lista de Passos Coelho.

Luís Rodrigues, ex-líder da distrital de Setúbal, encabeçará, como habitualmente, uma lista a este órgão que tentará representar o maior número possível de distritais.

Ao Conselho Nacional do PSD, órgão máximo do partido entre congressos, é frequente haver uma multiplicação de listas (há dois anos foram oito e em 2014 foram nove).

Rui Rio chega ao Congresso já com uma candidatura à liderança parlamentar, assumida na quinta-feira por Fernando Negrão, um dia depois de Hugo Soares ter anunciado a convocação de eleições na bancada para a próxima quinta-feira, na sequência de uma conversa com o presidente eleito em que este lhe manifestou vontade de trabalhar com uma direção do grupo parlamentar diferente.

Fernando Negrão explicou que teve duas conversas com Rui Rio neste processo: uma antes de ser candidato, de caráter geral sobre a bancada parlamentar, e uma depois da decisão, na qual o presidente eleito lhe manifestou agrado pela sua candidatura.

Estão inscritos no 37.º Congresso do PSD cerca de 950 delegados, mais de 250 participantes e mais de mil observadores.