A maior parte do sangue usado nos hospitais angolanos provém de dadores familiares, para apenas 22% de dadores voluntários regulares, segundo dados avançados esta sexta-feira à Lusa pelo Instituto Nacional de Sangue (INS), que pretende rever o cenário em 2018.

De acordo com a chefe do departamento de Promoção da Dádiva, Gestão de Dadores e Marketing do INS angolano, Eunice Manico, o quadro atual leva a uma situação “preocupante” no que toca à recolha de dádivas, essencialmente dependente dos familiares dos pacientes.

“São os dados provisórios disponíveis no Instituto, que conta apenas com 22% de dadores voluntários e 78% de dadores familiares. Daí que pretendemos dobrar o número de dadores voluntários, e por isso apelamos as pessoas a se juntarem a esta causa nacional”, apontou.

Embora sem quantificar o total de dadores voluntários controlados pelo Instituto Nacional de Sangue, a responsável acrescentou que com número atual “não se consegue fazer stock de sangue”, porque “a demanda é maior”, face à oferta benévola.

“Agora, mais com a chuva, aumentam os casos de malária, crescem ainda solicitações de sangue no Instituto do Cancro, ainda na cirurgia cardiotorácica. São todas situações que aumentam a demanda e não conseguimos ter stock, com esse número de dadores voluntários”, adiantou.

Com o propósito de sensibilizar a sociedade para a importância da doação voluntária do sangue, o INS promove no sábado, em Luanda, o primeiro encontro com os novos ativistas voluntários.

“Porque estamos sem dadores voluntários e a nossa luta é tornar os nossos dadores familiares em voluntários. De uma forma geral, a situação em todo o país tem sido solucionada com o sangue dos familiares e sabemos que este não é o propósito recomendado”, explicou.

Eunice Manico realçou que o “aumento da promoção da dádiva” visa garantir uma “doação voluntária e regular”, para que se possa existir stock de sangue em Angola.