Mais de 1.200 crianças migrantes morreram desde 2014, sendo que metade perdeu a vida quando tentava atravessar o Mediterrâneo, divulgou esta sexta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que admite que estes números possam ser maiores.

Estas mortes representam menos de 5% do número total de mortes de migrantes registadas pela OIM no mesmo período de tempo, indicou a organização, num comunicado. É por isso, segundo frisou a organização, que o número real de vítimas mortais menores deve ser muito mais alto, uma vez que aproximadamente 12,5% da comunidade global de migrantes tem menos de 18 anos.

Por exemplo, na vaga migratória que chegou em 2015 por mar aos territórios de Itália e Grécia, contabilizada em um milhão de migrantes, quase 250 mil eram crianças. No caso específico de Itália, 70% dessas crianças eram menores não acompanhados.

A OIM frisou que é muito difícil registar as mortes de migrantes, missão que fica ainda mais complicada quando é preciso determinar a idade da vítima mortal, informação que só é confirmada em menos de 40% dos casos.

Entre as 1.202 mortes de migrantes menores registadas pela OIM, só em 21% dos casos a idade das vítimas mortais era conhecida (58 tinham menos de um ano de idade e 67 tinham entre um e cinco anos de idade). Com base nos casos identificados, a idade média no momento da morte era de oito anos.

Devido à falta de informação relacionada com as crianças migrantes, a OIM realçou que não é possível estabelecer, de forma precisa, quais são as rotas migratórias mais perigosas para os menores. Mesmo assim, a organização internacional indicou que a rota do Mediterrâneo Oriental, da Turquia para a Grécia, é especialmente perigosa.

Pelo menos 396 migrantes com menos de 18 anos perderam a vida ao atravessar a rota do Mediterrâneo Oriental, outros 164 morreram na rota do Mediterrâneo Central (da Líbia para Itália) e 16 no Mediterrâneo Ocidental (de Marrocos para Espanha).

No resto do mundo, a OIM registou 137 mortes de crianças migrantes em África, 20 na fronteira entre o México e os Estados Unidos e 18 na Europa. Sobre a origem destas crianças, 803 menores eram oriundos da Ásia e do Médio Oriente, 171 eram africanos e 61 eram provenientes de países do continente americano. Por apurar, ficou a nacionalidade de 167 crianças.

A OIM foi criada em 1951, constituindo-se atualmente como a principal organização intergovernamental dedicada à área das migrações.