Se já viu o quinto episódio da quarta temporada da série Black Mirror — Metalhead — não leia nem mais uma linha deste texto. Podemos recomendar-lhe outros textos no Observador, como as imagens do desfile do dragão gigante que marca o primeiro dia do ano do Cão em Macau ou o fim dos cheeseburgers no Happy Meal do McDonald’s. Mas se não viu esse episódio, saiba que a BostonDynamics — uma empresa que recebeu financiamento do Departamento de Defesa dos EUA e que hoje é detida por um grupo chinesa — criou um novo “cão” robótico que é capaz de abrir portas, não só para si mas, também, para o seu “amigo”.

Um curto vídeo colocado na página da BostonDynamics correu mundo nos últimos dias. As duas personagens principais são dois exemplares do mais conhecido robô criado pela empresa, o SpotMini. O primeiro aproxima-se de uma porta fechada e pára, por ser incapaz de ultrapassar aquele obstáculo até agora intransponível.

É nesse momento que o “cão” robótico, aparentemente, pede ajuda ao seu “buddy”, um SpotMini igual mas equipado com um quinto membro: um “braço” capaz de detetar onde está o puxador da porta e “manuseá-lo”, com grande destreza (e cavalheirismo). O primeiro robô entra na outra divisão e o SpotMini mais evoluído espera pacientemente até poder, também, passar, segurando a porta atrás de si.

Tão desconcertante quanto a destreza do manuseamento do puxador e da porta é a aparente capacidade de colaboração entre os dois robôs. Parece uma coisa banal, desde que desempenhada por dois humanos com boas maneiras, mas na área da robótica este simples vídeo contém anos e anos de pesquisa e programação complexa.

A BostonDynamics criou este SpotMini como uma versão mais pequena do seu BigDog, um robô que foi concebido para o Exército norte-americano mas que acabou por não ter grande sucesso porque os militares queixaram-se de que o robô era demasiado barulhento e, portanto, iria estar constantemente a denunciar aos inimigos a posição das tropas norte-americanas.

Durante quatro anos, entre 2013 e 2017, a BostonDynamics — uma das empresas mais inovadoras na área da robótica — foi propriedade da Google. Mas os chineses do Softbank, que têm feito várias aquisições milionárias em vários segmentos das novas tecnologias, compraram a empresa no ano passado.