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A sociedade do século dezoito era (ainda) mais misógina do que hoje é. Há perto de trezentos anos, em 1720, foi escrito um livro em Inglaterra com os “segredos da procriação”, livro onde o homem era descrito como “a maravilha do mundo, à qual todas as coisas estão subordinadas”, devendo a sua “semente” ser entendida pelas mulheres como “uma dádiva divina, revestida em abundância com espírito vital”.

E o livro (intitulado Aristotle’s Masterpiece Completed In Two Parts, The First Containing the Secrets of Generation) explica às mulheres, sobretudo, segredos (muitos deles, ao presente, tão questionáveis como insólitos) para melhor conceber um filho.

Desde logo, o autor, assinando sob o pseudónimo de Aristoteles, sugere às mulheres que não tenham relações sexuais com animais, pois conceberiam “monstros”. E o autor apresenta alguns exemplos, acompanhados por xilogravuras bastante explícitas. Entre as xilogravuras, vê-se um homem de cauda ou uma criança coberta de penas e com pés de galinha. Esta “criança-pássaro” nasceu, segundo Aristoteles, em Itália, em 1512. E nasceu assim porque a mãe foi “imoral e impura”.

Quando é com um homem que tem relações sexuais e não com um animal, há igualmente o risco, garante o autor, de a mulher gerar um monstro. E explica: “Quando as mulheres lançam os olhos sobre corpos doentes, a força da imaginação pode produzir uma criança com lábios cabeludos ou com a boca retorcida”. A solução? Encarar o marido durante o sexo, “focar o pensamento nele”, assim o bebé teria a aparência do pai – que, espera-se, não tenha, ele mesmo, “lábios cabeludos” ou “boca retorcida”.

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Mas para que o bebé nasça saudável, Aristoteles recomenda uma alimentação saudável também. O homem deverá ter uma dieta à base de raízes, como gengibre ou nabo, e aves, como pardais, melros, perdizes e pombos jovens. A mulher, por sua vez, deveria evitar “comidas gordurosas e temperos”. Assim, a mulher tornar-se-ia “mais feliz e cheia de vida”.

Feliz e cheia de vida, se quiser ter uma menina, a mulher deveria, depois do sexo, deitar-se para o lado esquerdo. Se era um menino o desejo do casal, a mulher deveria escolher o direito. Mas o sexo do bebé também é coisa astral. E explica Aristoteles que a probabilidade de o filho ser rapaz aumenta “quando o sol está em Leão e a lua em Virgem, Escorpião ou Sagitário”. Para gerar uma menina é melhor fazer sexo quando “a lua está na fase minguante, em Aquário”.

O livro foi banido aquando da sua publicação e só depois de 1960 é que alguns exemplares começaram a circular em Inglaterra. Esta primeira edição será leiloada no próximo mês, na Hanson’s Auction House, ainda sem preço de licitação.