Michael Wolff, o autor do polémico livro sobre os bastidores da Casa Branca de Donald Trump Fire and Fury, afirma que o presidente dos Estados Unidos tem uma ideologia que se limita ao “faz-me feliz agora”. “Na Casa Branca todos se referiam a ele como uma criança. Às vezes de 16 anos, outras de nove, outras de dois. Mas sempre uma criança que precisa de gratificação imediata”, diz Wolff.

O autor, que escreveu o livro que Donald Trump quis proibir por descrever o caos que se vive na Casa Branca, classifica o presidente americano como “um mulherengo” que “quer sexo a cada minuto do dia“. Em entrevista ao jornal espanhol El País, Wolff fala sobre como conseguiu escrever o livro e descreve Trump como alguém que se vê “como o centro do mundo” e que tem nas mulheres “o principal interesse da sua vida”.

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Em Donald Trump, resume Wolff, “tudo se reduz a ‘eu quero, eu posso’“. “Bom, não pode impedir a publicação de um livro. Em vez de evitar que as pessoas o lessem, o efeito foi o de impulsionar de forma astronómica a sua venda”, afirmou o autor, lembrando que a tentativa de Trump de proibir o livro disparou as vendas. “Percebe-se a necessidade de encontrar sentido no que está a acontecer com Trump. O livro permite às pessoas centrar tudo o que se está a passar numa história e também relembra às pessoas que não estão loucas, quem está louco é ele“.

A reação de Trump ao livro foi maior do que Wolff podia imaginar. “Teria ficado contente se recebesse um tweet de desagrado, mas o presidente dos Estados Unidos tentar impedir a publicação e enervar-se foi além das minhas fantasias mais selvagens”, admite o autor.

Neil P. Mockford/Getty Images

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Wolff conta também como conheceu Trump e como conseguiu autorização para escrever o livro. “Conheço-o desde que escrevia na The New York Magazine, há 20 anos. Costumava telefonar-me para se queixar da revista, do que se dizia dele, e mais frequentemente do que não se dizia dele. Víamo-nos de vez em quando. Não diria que fomos amigos, mas mantivemos relações amistosas. Mais tarde, em plena campanha, entrevistei-o para o Hollywood Reporter. Gostou do que fiz, disse-me que eu era o melhor, o maior, o grande Wolff… já sabe como é Trump”, recorda.

“Quando ganhou, na transição, visitei-o na Trump Tower e pedi permissão para entrar na Casa Branca como observador. No princípio, pensou que lhe estava a pedir trabalho, mas disse-lhe que não, que queria escrever um livro. E ele respondeu-me que sim, claro, que lhe parecia bem. E foi esse o passaporte. Obtive a permissão do presidente. As portas abriram-se para mim e comecei a fazer parte da mobília“, acrescenta Michael Wolff.

O autor acabou por beneficiar do ambiente “caótico, intenso e hostil” que presenciou na Casa Branca. “Vinham ter comigo para saber o que pensavam os outros. Jared Kushner e Ivanka Trump queriam saber o que me tinha dito o estratega-chefe, Steve Bannon; o chefe de gabinete, Reince Priebus, pedia para saber o que diziam todos dele”, conta.

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Sobre as acusações de que foi alvo relativamente à veracidade do livro, Michael Wolff afirma ter escrito apenas sobre o que presenciou ou sobre o que lhe foi descrito. “E faço-o com a maior precisão que posso e da forma mais real e vibrante que sou capaz“, acrescenta.

O livro Fire and Fury – Inside the Trump White House foi lançado no início de janeiro e as vendas dispararam depois de se saber que os advogados de Donald Trump queriam impedir a publicação do livro. A Actual Editora comprou os direitos para a edição portuguesa da obra.