Sporting

Comentadores sportinguistas desobedecem a Bruno de Carvalho: “A decisão é unicamente minha”

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Para já, nenhum dos comentadores afetos ao Sporting cumpriu a ordem de Bruno de Carvalho, que apelou este sábado que saíssem dos programas de debate. Mas há um que ainda vai falar com o presidente.

Para já, nenhum dos comentadores afetos ao Sporting cumpriu a ordem de Bruno de Carvalho, que apelou este sábado a que todos saíssem dos programas de debate que têm marcado a atualidade desportiva portuguesa.

Dos quatro comentadores sportinguistas que falaram este domingo nas televisões independentes — José Pina, na TVI24; Manuel Fernandes, na SIC Notícias; Augusto Inácio, na RTP3; e Octávio Machado, na CMTV — a maioria deixou claro que não vai deixar os programas onde participa. A exceção é Manuel Fernandes, que avançou que vai tomar uma decisão depois de falar com Bruno de Carvalho na terça-feira, o dia seguinte ao jogo do Sporting em Tondela.

“É uma decisão minha, é unicamente uma decisão minha”, referiu Manuel Fernandes, que dos comentadores acima referidos é o único que também é funcionário do Sporting. Porém, acrescentou: “Naturalmente que vou ouvir o presidente do Sporting. Vou ver as razões dele” (sic). “Eu depois transmito no próximo programa”, afirmou.

De resto, Manuel Fernandes defendeu a posição de Bruno de Carvalho, sublinhando que “ele quer acabar com a ‘gozação’ e com as ofensas que fazem ao presidente do Sporting”.

José Pina, comentador no programa Prolongamento, da TVI24, deixou claro que não vai sair. “A TVI convidou-me para mais este programa de televisão, tenho compromissos profissionais, tento respeitá-los”, disse José Pina. Referindo que percebe “perfeitamente” o apelo ao boicote de Bruno de Carvalho aos media que não pertençam ao Sporting, Pina disse que ainda assim o seu trabalho e “essência” da sua vida “é a criatividade, a liberdade e o pensamento próprio”.

“Eu só passo recibos verdes à minha consciência e à minha liberdade. Se eu renunciar a isto, estou a renunciar à minha profissão e ao meu trabalho”, disse José Pina, co-fundador das Produções Fictícias e guionista. “Eu não posso, agora, de repente, tomar uma decisão. Eu sou profissional, trabalho nisto há mais de 25 anos. É a minha profissão.”

Augusto Inácio, comentador do programa Trio D’Ataque, na RTP3, também deixou claro que não vai sair. “Não sou comentador do Sporting, eu sou comentador desportivo. Sou um comentador independente, sou um comentador livre. Nunca recebi catilhas, recados”, disse o ex-treinador do Sporting que, já sob a presidência de Bruno de Carvalho, chegou a ser diretor do futebol do clube de Alvalade.

O comentador da RTP3 referiu ainda ter ficado com dúvidas em relação às declarações de Bruno de Carvalho. “Eu não cheguei a perceber bem: [o boicote] é para todos, é para alguns, não é para nenhum? Ficou assim uma dúvida no ar. Isto carece de um esclarecimento”, disse. No entanto, tornou a sublinhar: “Sou um comentador independente e ajo pela minha cabeça, não ajo pela cabeça dos outros.

Quem também rejeitou sair dos canais não-afiliados ao Sporting foi Octávio Machado, comentador do programa Golos, da CMTV. A posição do antigo treinador, que chegou a ser diretor geral do futebol do Sporting sob a atual direção, não representou nenhuma surpresa, uma vez que o Octávio Machado e Bruno de Carvalho entraram em confronto direto, e público, no verão de 2017.

“Não confundo o Bruno de Carvalho com o Sporting. O Sporting é a instituição, essa é que é intocável!”, disse Octávio Machado, na CMTV.

Em tom irónico, criticou aquilo que acredita ser o tipo “militância” que a atual direção do Sporting exige aos seus sócios e adeptos. “A militância agora é não ver os programas, isso é que é militância!”, ironizou. “Não é ir ao estádio, aplaudir a equipa… Não, isso não é militância. Isso até podem não ir! Portanto, é não assistirem aos canais, não verem televisão e não sei quê. Os sportinguistas agora a conviverem num banco, aqueles mais idosos, tenham cuidado! Pode alguém ver que estão a ler A Bola, o Correio da Manhã ou o Record, e depois é um problema. Podem levar um processo disciplinar, porque não obedeceram ao grande líder.”

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