Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Há mais de 1.700 doentes à espera de vaga nas unidades de cuidados continuados em Portugal. Foram criados mais 500 lugares, mas ainda assim não são suficientes para responder às necessidades. A procura é cada vez maior num país onde a população tende também a ser mais envelhecida.

A região mais problemática é Lisboa e Vale do Tejo, onde há, no total, 684 doentes que aguardam uma vaga — daqueles que estão efetivamente contabilizados, avança o Jornal de Notícias. É a zona do país com mais lacunas e com mais gente em espera, pelo que há já uma reforma em curso. Para a região de Lisboa está previsto um aumento de, pelo menos, 50% do número de respostas.

O protocolo com a Misericórdia de Lisboa para mais 120 camas pretende colmatar as dificuldades existentes, mas há outras que são difíceis de contornar. É o caso do envelhecimento da população, das doenças crónicas, das patologias cada vez mais complexas do ponto de vista clínico, dos constrangimentos financeiros e até mesmo da pressão imobiliária (que dificulta as respostas na zona de Lisboa).

A zona Centro é a segunda com mais pessoas em lista de espera: são 443 utentes referenciados que aguardam uma vaga nestas unidades. Ao todo, são 1788 doentes que se encontram nesta situação em todo o país. O presidente da Associação dos Cuidados Continuados garante que há promessas que não estão a ser cumpridas.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Para o concelho de Sintra estavam previstas cerca de 70 camas e não abriu uma”, afirma José Bourdain, acrescentando que “no Centro, há mais de 50 camas que são substituídas, não são novas, deixaram de ser assumidas pela Administração de Saúde e passaram para uma instituição privada”. O responsável aponta o dedo à falta de investimento e lembra que há muitas famílias que têm de pagar as diárias dos utentes com dificuldades financeiras e diz ainda que a situação que se vive neste campo é cada vez mais complexa.

A reforma da rede está em curso com mais 543 camas prometidas num despacho que foi publicado no final de 2017, algumas em funcionamento, outras entretanto protocoladas, escreve o JN.

Em outubro, 655 pessoas estavam internadas sem justificação clínica e sem vaga na rede de cuidados continuados em 34 das 43 unidades hospitalares existentes, na maioria idosos sem sítio para onde ir. O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Alexandre Lourenço, afirma que “a resposta da rede continua a ser insuficiente” e que “há necessidade de mais respostas ao domicílio”.