Os recém-nascidos no Paquistão, República Centro-Africana e Afeganistão são os que têm menor probabilidade de sobreviver, de acordo com um relatório da Unicef que revela que todos os anos 2,6 milhões de crianças morrem antes de completar um mês.

O relatório do Fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef) sobre a mortalidade neonatal, intitulado “Para cada criança, vida”, refere que os bebés de países considerados como os “piores do mundo para nascer” têm até 50 vezes mais probabilidades de morrer no primeiro mês de vida.

Sobretudo nos países mais pobres do mundo, o número de mortes de recém-nascidos a nível global mantém-se assustadoramente elevado, segundo a Unicef.

O documento elaborou uma tabela com os países que têm índices de mortalidade neonatal mais elevados, no topo da qual está o Paquistão (uma morte em cada 22 nascimentos), seguido da República Centro-Africana (uma em 24) e o Afeganistão (uma em 25).

Pelo contrário, os bebés nascidos no Japão, Islândia e Singapura são os que têm a maior probabilidade de sobreviver. Em Portugal, a mortalidade neonatal atinge uma em 476 crianças, situando-se a taxa nos 2,1 mortos por mil nascimentos.

“Embora tenhamos reduzido para mais de metade o número de mortes entre crianças abaixo dos cinco anos de idade nos últimos 25 anos, não fizemos progressos semelhantes relativamente à redução da mortalidade de crianças com menos de um mês de idade”, afirmou a diretora-executiva da Unicef. Para Henrietta H. Fore, a maior parte destas mortes podiam ser evitadas.

O relatório assinala também que oito dos dez lugares mais perigosos para se nascer estão situados na África subsariana, onde a probabilidade de assistência a mulheres durante o parto é menos provável devido à pobreza, conflitos e fragilidade das instituições.

A Unicef acrescenta que mais de 80% das mortes de recém-nascidos devem-se a nascimentos prematuros, complicações durante a gravidez ou infeções, tais como a pneumonia e septicemia.

“Estas mortes podem ser prevenidas com o acesso a parteiras bem formadas e a soluções já comprovadas, tais como o uso de água limpa, desinfetantes, amamentação nas primeiras horas, contacto com o corpo da mãe e uma boa nutrição”, lê-se no documento.

A Unicef refere que a escassez de profissionais de saúde e de parteiras bem formadas significa que milhares de recém-nascidos não recebem o apoio necessário para sobreviver. Enquanto na Noruega existem 218 médicos, enfermeiras e parteiras para servir dez mil pessoas, essa proporção é de 1 para dez mil na Somália.