Os sindicatos dos enfermeiros admitem marcar greves se até ao final desta semana não receberem, da parte do Ministério da Saúde, a garantia de negociações relativas à carreira de enfermagem, escreve esta quarta-feira o Público, citando dirigentes do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) e da Federação Nacional dos Sindicatos de Enfermagem (Fense).

Na última sexta-feira, detalha o jornal, o SEP enviou um ofício ao ministério “a dar até ao final da semana para que o processo negocial tome o seu curso normal”. O documento foi enviado depois de uma reunião em que devia ter sido discutido “o protocolo negocial para dar início à negociação da carreira de enfermagem” não ter acontecido, explicou a dirigente sindical Guadalupe Simões.

O SEP exige agora respostas até ao final da semana e “a greve está sempre em cima da mesa”, garante a mesma dirigente sindical, admitindo a realização de manifestações e outros tipos de protestos. Uma onda de contestação que pode subir de tom se se juntarem as ameaças de paralisação de médicos em abril e ainda as de professores, anunciadas para março.

Também a Fense admite avançar para greve, com o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, José Azevedo, a recordar que em janeiro foi assinado um protocolo com o ministério que previa o arranque da negociação da revisão da carreira no último mês. “Se o ministério não abrir as negociações, vamos voltar a fazer greve”, disse José Azevedo ao Público.

Em causa estão reivindicações como o suplemento transitório de 150 euros a ser pago aos enfermeiros especialistas, o plano de contratação de mais profissionais devido à passagem para as 35 horas semanais a partir de 1 de julho e a revisão da carreira.

Médicos ponderam greve de três dias

Também da parte dos médicos há a possibilidade de avançar para uma greve de três dias. Os sindicatos dos médicos exigem a abertura de concursos para jovens médicos, 12 horas semanais de urgência em vez de 18, a redução do número de utentes por médico de família de 1.900 para 1.500 e também o regresso às 35 horas de trabalho.

Após dois anos de negociações, tanto o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) como a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) estão pouco confiantes nas negociações, uma vez que ainda não chegaram propostas por parte do ministério.

Tanto Jorge Roque da Cunha, do SIM, como João Proença, da Fnam, colocam em cima da mesa a possibilidade de greve de três dias, no início de abril, e ainda uma manifestação de médicos em Lisboa.

Bastonário da Ordem dos Médicos

Recordando que o ministro da Saúde prometeu recentemente a abertura de concursos para médicos recém-especialistas e a contratação de 100 médicos de família, promessas que ainda não foram concretizadas, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães diz que este atraso é uma “vergonha e um drama nacional”.

“Neste momento, já não tenho razões para acreditar no ministro da Saúde”, disse Miguel Guimarães em entrevista à agência Lusa. “Os médicos já não acreditam no ministro da Saúde”, disse mesmo.

A Ordem dos Médicos vai acompanhar, nesta quinta-feira, um grupo de recém-especialistas da área hospitalar ao Parlamento para entregar uma carta a contestar o facto de 700 profissionais estarem há “quase um ano” à espera da abertura de concurso.

“É uma situação criada pelo ministro da Saúde que é não só ilegal, mas é também imoral. Temos muitos doentes com necessidade de consulta hospitalar, temos doentes em lista de espera para cirurgia e temos por outro lado mais de 700 especialistas hospitalares que ainda não foram contratados. É a gestão desastrosa que o Ministério da Saúde está a fazer da saúde”, afirmou Miguel Guimarães à agência Lusa.

“Isto já é uma coisa mais grave que uma vergonha nacional. É um drama nacional para os milhares que estão à espera de consulta hospitalar e que estão à espera de ser operados”, acrescenta o bastonário.