Um estudo concluiu que os antidepressivos fazem efeito, uns mais do que outros, sim, mas dão resultados. Os antidepressivos são efetivamente mais ativos do que o placebo (substância neutra administrada ao invés do antidepressivo) no combate aos sintomas da doença.

Utilizados em todo o mundo para o tratamento da depressão aguda — um dos grandes desafios na área da saúde a nível global –, os antidepressivos têm sido alvo de debate entre cientistas. Afinal, são ou não eficazes no tratamento da depressão aguda?

A revista The Lancet publicou um estudo, que teve em conta 522 ensaios clínicos duplamente cegos, — ou seja, nem o médico, nem o paciente, sabem que estão a ser alvo de estudo, pelo que nenhum sabe se está a tomar o antidepressivo ou o placebo. O estudo, que foi realizado com 21 antidepressivos diferentes e é uma extensão de um anterior projeto que tinha por base apenas 12, responde à pergunta.

Durou seis anos e foi agora publicado, tendo abrangido 116 477 homens e mulheres que sofriam de depressão e que foram tratados, pelo menos, durante dois meses.

De acordo com os resultados, há fortes evidências de que os antidepressivos são realmente mais eficazes do que o placebo no tratamento de depressão aguda em adultos. A verdade é que alguns têm uma melhor resposta do que outros, bem como uma menor taxa de abandono por parte dos pacientes, mas todos, em comparação com o placebo, apresentaram melhores resultados no que à diminuição dos sintomas da doença diz respeito.

Cerca de 60% das pessoas que fizeram parte do estudo apresentaram uma diminuição dos sintomas em cerca de 50%, como por exemplo uma melhoria do humor e mais facilidade em ter um bom descanso durante o sono. Andrea Cipriani, que conduziu o estudo, disse ao The Guardian que “cerca de 80% das pessoas deixaram de tomar os antidepressivos dentro de um mês”.

Por exemplo, o Prozac, um dos mais conhecidos a nível mundial foi um dos que apresentou menos resultados, apesar de ser o mais tolerado entre os pacientes, enquanto a Amitriptilina foi um dos medicamentos mais eficaz.

O médico James Warner, que faz pesquisa em psiquiatria no Imperial College London, disse: “Este estudo rigoroso confirma que os antidepressivos têm um lugar importante no tratamento da depressão. A depressão causa miséria a inúmeros milhares de pessoas todos os anos e este estudo acrescenta evidência aos tratamentos existentes”. A depressão afeta 350 milhões de pessoas em todo o mundo.