Cinema

Três filmes para ver esta semana

"Eu, Tonya", filme baseado numa história real, um documentário argentino sobre um lendário par do tango e "Pequena Grande Vida", de Alexander Payne, são as escolhas desta semana de Eurico de Barros.

Margot Robbie personifica a controversa patinadora artística Tonya Harding em "Eu, Tonya", e também produz o filme

Autor
  • Eurico de Barros

“Eu, Tonya”

Invulgarmente dotada para a modalidade, a patinadora no gelo americana Tonya Harding provinha de uma família pobre, tinha uma mãe que a pôs a competir ainda ela era miúda, para apanhar uma boleia do sucesso da filha, era rebelde e espalhafatosa, não se conformava nada à imagem bem-comportadinha exigida pelo “establishment” da patinagem nos EUA, e era casada com um labrego ambicioso. Em 1994, já campeã nacional e aspirante à medalha de ouro da especialidade nos Jogos Olímpicos de Inverno de Lillehammer, Tonya Harding viu-se envolvida no escândalo da agressão à sua colega e rival Nancy Kerrigan, planeada pelo marido para lesionar esta e tirá-la do caminho da mulher. Tonya saberia da existência do plano, sem se ter envolvido directamente nele, mas perdeu todos os seus títulos e medalhas e foi proibida de patinar oficialmente para o resto da vida.

Tendo a australiana Margot Robbie no papel principal (também é produtora), Craig Gillespie conta, em “Eu, Tonya”, a história deste escândalo e da vida da patinadora, em jeito de tragicomédia americana “kitsch” e gutural, com pano de fundo de choque de classes (o mundo da patinagem olhava de alto para Tonya, filha de empregada de mesa, e Tonya desprezava abertamente essa sobranceria), mostrando-a mais como vítima (da sua pouca educação, da família chupista, da snobeira do meio da patinagem artística) do que prevaricadora. Só que ao mesmo tempo, o filme não resiste a rir e fazer rir à custa dela e dos que a rodeiam, e Gillespie abusa das fosquinhas estilísticas. O melhor de “Eu, Tonya” são as actrizes: Margot Robbie, óptima na voluntariosa, dedicada mas volátil e desbragada Tonya, e Allison Janney na mãe, LaVona, uma bruxa “white trash”, implacável e sem coração. Ambas estão candidatas a Óscares.

“O Nosso Último Tango”

Durante quase meio século, María Nieves e Juan Carlos Copes foram sinónimos de tango, formando o mais talentoso, aclamado e célebre par de bailarinos da Argentina, cuja fama extravasou também para o estrangeiro, tendo ainda contribuído para dar novo fôlego e prestígio a esta dança dentro de portas. Níeves e Copes foram também um casal fora dos palcos, acabando por se separar devido às constantes infidelidades dele e à sua recusa em querer ter filhos, ao contrário da mulher, que desejava parar durante dois ou três anos para ser mãe. Mesmo divorciados, continuaram a dançar juntos ao longo de vários anos, evitando olhar-se nos olhos e insultando-se entredentes.

O realizador German Kral foi filmá-los, já octogenários e definitivamente separados, em “O Nosso Último Tango”, munindo-se de imagens de arquivo e pondo-os a falar com uma nova geração de bailarinos e coreógrafos de Buenos Aires seus grandes fãs, dois dos quais os interpretam quando jovens, em sequências de “flashback” dançadas. A história deste par apaixonado e depois azedamente desavindo, mas que pôs a sua arte acima do que levava no coração, é como um emblema da paixão, do sofrimento e dos sentimentos extremados intrínsecos ao tango, de que Nieves e Copes são executantes de eleição, símbolos nacionais e lendas vivas. E Kral consegue mesmo juntá-los brevemente em palco.

“Pequena Grande Vida”

O tema da miniaturização dos humanos, que já deu alguns bons filmes de ficção científica, em especial nas décadas de 50 e 60, caso de “Os Sentenciados”, de Jack Arnold, ou “Viagem Fantástica, de Richard Fleischer, volta à baila com esta fita de Alexander Payne. Um grupo de cientistas noruegueses descobre um processo científico de reduzir pessoas e grande parte dos animais, o que poderá ajudar a resolver alguns dos maiores problemas que afligem hoje a humanidade: a super-população, a crescente falta de espaço para viver, a diminuição dos recursos naturais, as alterações do clima e a poluição.

Alguns anos após a descoberta, entretanto comercializada, começam a brotar em todo o planeta mini-comunidades habitadas por pessoas que escolheram ser encolhidas e começar uma nova vida, agora em ponto pequeno. Paul Safranek (Matt Damon) e a mulher decidem ser reduzidos a 13 centímetros e ir viver para uma afluente mini-comunidade chamada Leisureland, mas ela enche-se de medo e desiste à última hora, sem avisar o marido. E Paul fica sozinho e deprimido no seu novo pequeno mundo. “Pequena Grande Vida” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.

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