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França

Marion Le Pen foi à América: “A França passou de filha mais velha do catolicismo a sobrinha do Islão”

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Neta de Jean-Marie Le Pen - e sobrinha da atual líder da FN, Marine -, foi a uma das conferências mais importantes dos conservadores nos EUA dizer que também quer "a França em primeiro lugar".

YOAN VALAT/EPA

Marion Maréchal-Le Pen, 27 anos, é neta do antigo líder do partido de extrema-direita francês Frente Nacional (FN), Jean-Marie Le Pen — e sobrinha da atual dirigente, Marine. Em tempos, foi a deputada mais jovem alguma vez eleita no Parlamento francês, com 22 anos, mas em 2017 anunciou que iria fazer uma pausa da política. Esta quinta-feira, quebrou essa promessa em solo norte-americano.

A neta de Le Pen pai discursou perante os participantes da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC no original), uma conhecida conferência de políticos conservadores norte-americanos que se realiza todos os anos. “Não fico ofendida quando oiço o Presidente Trump dizer ‘a América em primeiro lugar'”, declarou Marion. “Quero a América em primeiro lugar para o povo americano, o Reino Unido em primeiro lugar para os britânicos e a França em primeiro lugar para os franceses.”

O discurso teve vários elogios ao Presidente norte-americano — que irá discursar na CPAC esta sexta-feira –, com a francesa a afirmar que a vitória de Trump representou “a oportunidade para as pessoas tomarem o seu país de volta”. Mas focou-se sobretudo em França, com a representante da FN a criticar a situação atual do seu país: “Depois de 40 anos de imigração em massa, lóbi islâmico e politicamente correto, a França está no processo de deixar de ser a filha mais velha da Igreja Católica para passar a ser uma pequena sobrinha do Islão”, sentenciou, como relata a revista Time.

As críticas à situação francesa foram além da imigração ou dos ataques ao Islão. Marion, conhecida por assumir posições ainda mais conservadoras do que a tia e líder atual da FN em matérias sociais como o casamento gay, falou nos EUA sobre tópicos como as barrigas de aluguer. “Não queremos este mundo atomizado de indivíduos sem género, sem pai, sem mãe, sem nação”, resumiu sobre as suas posições políticas.

A audiência mostrou ter gostado do discurso, com vários gritos de “Vive la France” a soarem na sala, segundo conta o The Guardian. No entanto, antes do discurso de Marion alguns conservadores norte-americanos tornaram público o seu descontentamento com a sua participação. O antigo apresentador da Fox News Glenn Beck, por exemplo, definiu-a mesmo como “nacional-socialista”.

A organização da CPAC justificou o convite a Marion com as suas posições conservadoras “semelhantes a muitas das vozes conservadoras dos EUA”, que defendem temas como “o casamento tradicional” e o “movimento pró-vida”. “As pessoas estão a tentar atacar esta jovem mulher, cujo avô foi uma figura política vil em França e que teve posições aberrantes. Ela é ela própria. É jovem. Afastou-se dessas posições da família e é uma voz nova em França”, justificou o presidente da CPAC, Matt Schlapp.

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