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Mercedes admite: “Se o Tesla Semi andar, nós falhámos”

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“Se o Semi funcionar como promete, nós falhámos completamente”. Quem o diz é Martin Daum, o responsável pela Daimler Trucks. São os construtores tradicionais de camiões a começar a ficar preocupados…

Na apresentação internacional do novo Mercedes eActros, o camião eléctrico da Daimler, o homem forte dos camiões da marca alemã, Martin Daum, estava mais preocupado com o camião Tesla do que com o veículo eléctrico da sua marca, que ali era revelado ao público. E não faltavam razões para isso, uma vez que o eActros, que obviamente recorre ao melhor do que a marca germânica é capaz de produzir com a sua tecnologia, está equipado com uma bateria com uma capacidade de 240 kWh, o que lhe permite deslocar 23 toneladas durante 200 km.

Comparativamente, o Semi – de que a Tesla já vendeu largas centenas de unidades e que promete começar a fabricar durante 2019  (sendo conhecida a tendência deste construtor americano para a derrapagem das datas) – é um Fórmula 1 face ao Mercedes, transportando mais carga, muito mais longe e de forma incomparavelmente mais rápida. Começa por deslocar 36 toneladas e faz 5 segundos de 0-96 km/h sem carga e 20 segundos no limite máximo (a Daimler não divulga a capacidade de aceleração). Mas se a rapidez é apenas um indicador, mais curioso do que relevante, já o mesmo não acontece com a autonomia, com a Tesla a garantir que, com 36 toneladas, o Semi pode percorrer 800 km, consoante a capacidade da bateria, que oferece duas versões distintas. E tudo isto por 180 mil dólares, qualquer coisa como 146 mil euros.

A posição de Daum e, logo, da Mercedes é que se as leis da física são iguais para todos, o Semi teria de possuir uma bateria de 960 kWh para percorrer 800 km com 23 toneladas. Como puxa 36, teria de passar confortavelmente os 1.000 kWh. Ora isto implica custos e peso, não fazendo sentido o Semi deslocar-se de um lado para o outro apenas para passear as baterias. E os clientes que já sinalizaram o tractor da Tesla não o teriam feito sem estarem confortáveis com um dado que ainda não foi tornado público: qual é a massa das baterias do Semi.

Se a Tesla for capaz de cumprir o prometido, nós compraremos de imediato dois Semi: um para desmontar e ver como é possível, e um segundo para testar, pois há obviamente algo em que falhámos por completo”, disse Martin Daum aos jornalistas.

Contudo, existem alguns dados que certamente não escaparam ao homem da Mercedes. O Semi é substancialmente mais aerodinâmico, a ponto de bater um Bugatti Chiron, enquanto o eActros possui a aerodinâmica de um frigorífico. É definitivamente uma área em que a concorrência tem de trabalhar, pois mesmo a 100 km/h é importante.

Depois, a Tesla tem a sua própria fábrica de baterias – a Gigafactory, no Nevada – onde conta com um reputado fabricante de baterias como a Panasonic. Isto permite-lhe fabricar baterias por um custo aproximado de 130 dólares (cerca de 105€) por kWh, enquanto a Nissan, que já anda nestas andanças dos eléctricos há uns anos, ainda está nos 200€/kWh. A Mercedes, virgem nesta matéria, estará necessariamente bastante mais atrás.

E, no capítulo do peso, a vantagem da Tesla/Panasonic é similar, bastando recordar que até o Model 3 estreou baterias mais eficazes do que as utilizadas até aqui nos Model S e X e ninguém discute a vantagem destes modelos face à concorrência, que ainda nem sequer conseguiu sair do papel.

Em resumo, Daum deve estar a apostar mesmo que a Tesla não será capaz de produzir o camião com as especificações que prometeu. Mas as empresas de Elon Musk, o CEO da Tesla e SpaceX, são conhecidas por se atrasarem e não por falharem os seus objectivos. Em terra e no espaço.

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