Igreja Católica

Morreu o padre Dâmaso Lambers, o padre das prisões

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O padre Dâmaso Lambers morreu esta quinta-feira, aos 87 anos. Ficou conhecido como o "padre das prisões" e era presença assídua aos microfones da Rádio Renascença.

O padre Dâmaso Lambers morreu esta quinta-feira, no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa. O pároco luso-holandês que ficou conhecido como o “padre das prisões” tinha 87 anos.

Hermano Nicolau Maria Lambers nasceu a 9 de junho de 1930 na Holanda, ainda na ressaca na Primeira Guerra Mundial. Tinha 10 anos quando as tropas nazis de Adolf Hitler invadiram o seu país. Cruzava-se com os soldados alemães nas missas de domingo e passava os dias a procurar lenha para aquecer os idosos e doentes, porque os invasores roubavam todo o carvão.

No meio da guerra, da destruição e da morte de vizinhos, amigos e conhecidos, o pequeno Hermano começou a refugiar-se na fé. Eram muitas as vezes que desaparecia de perto dos irmãos para ser encontrado pouco depois, de joelhos, a rezar no quarto. Ainda Hitler não se tinha rendido quando manifestou pela primeira vez a intenção de ser padre. Quando tinha finalmente idade para tal, os seminários holandeses estavam já totalmente destruídos pelos bombardeamentos. Foi orientado por padres da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria – à qual se juntou mais tarde – e foi ordenado em 1955, aos 25 anos. Na mesma altura, adotou o nome Dâmaso.

A Renascença conta que o jovem padre Dâmaso queria partir para terras exóticas e ser missionário em países da América Latina. E foi por isso que em 1957 viu com desagrado a ordem do cardeal Cerejeira para rumar a Portugal. Mas, e tal como fez sempre, obedeceu. Dois anos depois, já a viver em Portugal, foi convidado para dar uma conferência na prisão feminina de Tires: correu tão bem que o convidaram para repetir a exposição noutras cadeias, um pouco por todo o país. Percebeu que tinha encontrado a sua principal vocação e, primeiro como visitador, depois como capelão, ajudou inúmeros homens e mulheres a encontrar Jesus dentro de quatro paredes. Ficou conhecido como o “padre das prisões.”

A dada altura, pregar a Boa Nova, ajudar com bens ou com o próprio dinheiro deixou de ser suficiente. Decidiu fundar “O Companheiro” em 1987, uma organização que ainda existe e que se dedica a ajudar ex-reclusos a reintegrar-se na sociedade. Entretanto, conheceu o Monsenhor Lopes da Cruz, fundador da Rádio Renascença, e tornou-se colaborador da Emissora Católica até ao fim da vida. Foi presença diária com o programa “Caminhos da Vida” e mentor para muitos que por lá passaram. Nas novas instalações da Rádio Renascença, na Quinta do Bom Pastor, na Buraca, existe agora uma sala com o seu nome.

O padre Dâmaso Lambers morreu esta quinta-feira, aos 87 anos. Vai estar em câmara ardente na Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica a partir das 16h desta sexta-feira. O funeral é sábado às 10h30.

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