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Presidente da IPSS “O Sonho” vai ser constituído arguido

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Há suspeitas de crimes de peculato de uso, fraude na obtenção de subsídios e falsificação de documentos. O presidente da "O Sonho" vai ser constituído arguido e será ouvido ainda esta sexta-feira.

TIAGO HENRIQUE MARQUES/LUSA

A Polícia Judiciária de Setúbal está a realizar buscas desde as 10h00 desta sexta-feira em três instituições e em casas particulares de responsáveis da Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) “O Sonho”, avança a SIC Notícias.

Em causa estão suspeitas de crimes de peculato de uso, falsificação de documentos e fraude na obtenção de subsídios, denúncia que foi recebida pelo Departamento de Investigação e Ação Penal da Sede da Comarca de Setúbal.

Florival Cardoso, presidente da “O Sonho”, vai ser constituído arguido e ouvido ainda esta sexta-feira na Polícia Judiciária de Setúbal, disse à agência Lusa o diretor daquela polícia, Vítor Paiva. Segundo o diretor da PJ de Setúbal, as buscas na instituição ainda prosseguiam às 20h00.

Uma nota publicada no site da Procuradoria da Comarca de Setúbal refere que as buscas “presididas pelo Ministério Público e levadas a cabo pela PJ de Setúbal com a coadjuvação da Segurança Social, abrangem também os equipamentos sociais da IPSS e domicílios”.

De acordo com o Diário de Notícias, as buscas centram-se em Florival Cardoso, cuja mulher também trabalha na associação, enquanto secretária. A Polícia Judiciária enviou inspectores para buscas a duas casas que estão relacionadas com o presidente.

O Observador tentou contactar Florival Cardoso, mas os telefonemas foram rejeitados.

Em causa na investigação estará a apropriação indevida de centenas de milhares de euros e a venda de bens que foram doados à instituição. Além disso, a associação é suspeita de ter declarado mais utentes do que aqueles que realmente tem para receber mais apoios estatais.

Num comunicado, a Segurança Social diz ter integrado a “equipa conjunta com a Polícia Judiciária” que realizou buscas à IPSS, mas, por o caso se encontrar “em segredo de justiça”, não pode pronunciar-se sobre o processo.

“O Sonho”, conforme descrito na mensagem do presidente publicada no site, é uma associação de “direito privado e sem fins lucrativos, constituída em 1980” com o propósito de resolver “problemas sociais e situações de risco existentes no Concelho de Setúbal” e promover o desenvolvimento do mesmo no que diz respeito à “integração dos grupos sociais mais desfavorecidos”. Actualmente, a organização tem berçário, creche e pré-escolar.

Florival Cardoso nega irregularidades e manifesta vontade em demitir-se

O presidente da IPSS “O Sonho” negou que tenha cometido qualquer irregularidade na gestão da associação, manifestando vontade em se demitir do cargo que ocupa há mais de três décadas.

Em declarações à agência Lusa, Florival Cardoso afirmou “estar de consciência tranquila”, mas “desiludido com a perseguição” que diz estar a ser feita às IPSS.

O presidente espera vir a ser constituído arguido no decurso do inquérito e assim possa conhecer o processo e “defender-se” das “acusações infundadas”.

Florival Cardoso declarou estar a colaborar com as autoridades no apuramento da verdade, acrescentando que vai reunir, assim que possível, com os restantes elementos da direção da IPSS, mas que a sua vontade, neste momento, é a de pedir a demissão do cargo.

“Sinto-me desiludido com tudo isto. Dei muito mais do que aquilo que recebi ao longo dos anos a esta instituição para agora haver isto”, lamentou o presidente da “O Sonho”.

Florival Cardoso disse desconhecer a queixa que deu origem ao inquérito, mas que espera que a mesma não seja anónima para que possa pedir responsabilidades ao autor ou autores, na defesa da sua honra e bom nome.

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