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China

Activistas preocupados com alojamento na China de dados pessoais de utilizadores chineses da Apple

A Apple vai instalar centro de dados na China para alojar as contas de iCloud dos utilizadores chineses. Ativistas dos direitos humanos estão preocupados e temem caso semelhante ao da Yahoo.

JOEL CARRETT/EPA

A Apple vai passar a alojar as contas de iCloud dos utilizadores que residem na China num novo centro de dados em território chinês a partir do final de fevereiro, permitindo que as autoridades chinesas tenham mais controlo sobre o conteúdo das comunicações dos utilizadores, avança a agência Reuters.

A decisão está a alarmar as organizações que lutam pelos direitos humanos no país, que estão preocupadas com a possibilidade de o regime comunista de Xi Jinping usar as informações da iCloud para identificar e perseguir dissidentes.

Até agora, as chaves que permitiam desbloquear as informações que os utilizadores colocavam na iCloud estavam alojadas nos servidores da Apple nos Estados Unidos. Por isso, qualquer Estado que quisesse aceder a dados de utilizadores que fossem seus cidadãos, precisava de dar entrada com um pedido no sistema legal norte-americano.

Agora, as autoridades chinesas já não vão precisar de esperar pela autorização de um tribunal dos Estados Unidos, podendo recorrer ao seu próprio sistema legal para aceder à informação.

Segundo a Reuters, esta possibilidade de aceder aos dados dos utilizadores da Apple por parte do Governo chinês surge mais de uma década depois de a Yahoo ter feito o mesmo. Associações de ativistas pelos direitos humanos recordam que, nessa altura, o Governo chinês recorreu a dados dos utilizadores da Yahoo para prender dois ativistas.

Um deles foi Shi Tao, um jornalista que foi condenado, em 2005, a dez anos de prisão por ter divulgado um documento secreto do governo chinês. O documento foi enviado através do seu email pessoal do Yahoo, tendo as autoridades chinesas exigido à sede regional da empresa em Hong Kong que cedesse todas as informações necessárias à identificação do remetente. A Yahoo entregou todas as informações pedidas pelo regime e o jornalista foi preso dias depois.

Para Jing Zhao, um ativista chinês citado por aquela agência noticiosa, a decisão da Apple poderá levar a situações semelhantes ou ainda piores.

Num comunicado, a Apple justificou que está sujeita à nova legislação chinesa, que obriga as empresas que fornecem serviços de armazenamento em “nuvem” a alojarem toda a informação em servidores em território chinês, pelo que, apesar de não mudar os seus valores consoante o país em que opera, está sujeita às leis de cada país.

A Apple assinou um contrato com a empresa Guizhou — Cloud Big Data Industry para instalar um centro de dados na China, operado por uma empresa chinesa, como manda a lei. Segundo a Reuters, a empresa em questão tem “relações próximas” com o governo chinês e com o Partido Comunista Chinês.

Outras empresas tecnológicas têm sentido dificuldades semelhantes nas suas operações na China: se não cumprirem as regras de controlo impostas pelo governo chinês, estão sujeitas a ser proibidas de operar e a perder o lucrativo mercado da China.

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