Pep Guardiola diz que vai continuar a usar o laço amarelo em apoio aos políticos pró-independência catalã que se encontram presos seja qual for o castigo que possa receber da Football Association (FA), a federação inglesa de futebol. Porquê? Porque “antes de ser treinador de futebol” é “um ser humano”, disse o técnico do Manchester City.

O treinador catalão conquistou ontem o seu primeiro troféu enquanto treinador dos “Citizens”, ao vencer o Arsenal por 3-0 na final da Carabao Cup. Em declarações após o encontro, Guardiola, que em Wembley voltou a usar o laço, não pareceu muito preocupado com possíveis sanções, dizendo que a federação sabe que ele o vai usar “sempre”.

“Eles [a FA] sabem que eu irei usar o laço amarelo sempre. Não se trata de políticos, mas sim de democracia. Trata-se de ajudar pessoas que não fizeram absolutamente nada”, disse o treinador, de acordo com a BBC.

Na passada sexta-feira, a FA abriu um procedimento disciplinar contra Guardiola por usar o laço durante encontros e em conferências de imprensa, algo que vai contra o regulamento da federação inglesa, que proíbe o “uso de mensagens políticas”. Guardiola, contudo, diz que se trata de uma questão de humanidade e que está disposto a aceitar punições por ela.

“Eu tenho empatia por pessoas que não têm liberdade. Aquelas pessoas em Espanha que estão presas, eles não foram provados culpados. Qualquer um pode estar naquela situação. Antes de ser um treinador de futebol eu sou um ser humano, e isto é pela humanidade”, disse Pep. “Se quebrei as regras, eu aceito a pena”.

O treinador do Manchester City referiu ainda que a UEFA tem “outra opinião no que diz respeito a estas questões”, afirmando que a organização que tutela o futebol europeu diz que “se pode usar o que se quiser desde que seja com respeito”. “Aqui, aparentemente, é diferente”, concluiu o catalão.

De referir que os próprios adeptos dos citizens mostraram a total solidariedade com o técnico espanhol, com cerca de seis mil pessoas a envergarem nas bancadas o laço amarelo na lapela.

Os três políticos pró-independência catalã ainda detidos são Oriol Junqueras, Jordi Sanchez e Jordi Cuixart, todos acusados de delitos de rebelião, sedição e peculato.