Já estão escolhidos os 14 finalistas do Festival da Canção 2018 que, no próximo dia 4 de março, irão competir por um lugar na Eurovisão, que irá decorrer em Lisboa, no início de maio. Este domingo, durante a segunda semi-final, foram selecionados os últimos sete concorrentes.

Diogo Piçarra, que liderou a pontuação, acabou por desistir da competição após alegações de plágio de uma música gravada e editada pela IURD. Sem grandes discrepâncias entre as pontuações atribuídas pelo público e pelo júri, Cláudia Pascoal ficou em segundo lugar, com um tema composto por Isaura, seguida dos intérpretes Maria Inês Paris, Minnie & Rhayra, Lili, David Pessoa e Peter Serrado. Com a desistência, Susana Travassos, que tinha ficado em oitavo lugar, ficou apurada para a final.

Pontos somados, a lista completa é a seguinte:

Vencedores da 1.ª semi-final

Cláudia Pascoal: “O Jardim”

Cláudia Pascoal foi a intérprete escolhida por Isaura, que compôs um tema sobre um evento muito pessoal — a morte da avó. Natural de Gondomar, Cláudia começou a tocar guitarra aos 15 anos e, desde então, toca regularmente ao vivo. Já participou em vários programas de talento, como os Ídolos e The Voice Portugal, e em 2017 lançou um single com Pedro Gonçalves, intitulado “Ocasionalidades”. Tem um álbum de originais terminado, que ainda não o lançou por falta de apoios, e dois projetos ativos: um a solo, de baladas, e uma banda que canta em inglês, na onda do jazz e do rock.

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“O Jardim”, com música e letra de Isaura, ficou em segundo lugar com 20 pontos (10 do júri e 10 do público).

Maria Inês Paris: “Bandeira Azul”

O apelido não é coincidência: Maria Inês é sobrinha de Tito Paris, um dos nomes grandes da música cabo-verdiana. Apesar do laço familiar, foi só quando participou no The Voice Portugal que o tio lhe prestou verdadeiramente atenção, percebendo que era afinal a sobrinha a pessoa mais indicada para interpretar o tema que compôs para o Festival da Canção, “Bandeira Azul”, onde nunca tinha participado. Quanto a Maria Inês, é natural que a música lhe corra nas veias. Toca piano, guitarra e admite ter como influências nomes como Ella Fitzgerald, Nina Simone e Etta James.

“Bandeira Azul”, com música de do tio Tito e do brasileiro Pierre Aderne, ficou em terceiro lugar com 12 pontos (7 do júri e 5 do público), com uma diferença bastante significativa dos dois primeiros classificados.

Minnie & Rhayra: “Patati Patata”

As cantoras Minnie e Rhayra foram as escolhidas por Paulo Flores, uma referência da música de Angola, para a interpretação do tema “Patati Patata”, onde, além do português, cabem ainda línguas como o francês, o russo ou o alemão. Minnie (nascida Yasmeen Caetano) canta desde os 14 anos e, mais recentemente, atuou no B.leza, em Lisboa, com o cantor e guitarrista angolano Nelo de Carvalho. Já Rhayra (ou Ema Silva) começou a tocar ao vivo em Angola, em restaurantes e bares. Aos 14 anos, juntou-se ao grupo Tuna Académica, formado pelo vocalista dos Garimpeiros em Moçambique. Participou no The Voice Angola.

O tema interpretado por Minnie e Rhayra passou à grande final de 4 de março com uma pontuação total de 10 pontos (4 do júri e 6 do público).

Lili: “O Voo das Cegonhas”

Médica veterinária de formação, Lili começou no mundo da música com um projeto musical chamado Ballerina. Começou a trabalhar com Armando Teixeira — músico associado a projetos como Da Weasel, Bizarra Locomotiva, Boris Ex-Machina ou Balla, que compôs o tema interpretado pela cantora nesta segunda semi-final — há 15 anos, nomeadamente em Bulllet. Foi também a veterinária que deu voz à música “In Your Dreams”, composta por Teixeira e usada numa campanha publicitária da antiga TMN.

Depois de contados os votos, “O Voo das Cegonhas“ ficou em quinto lugar, com 10 pontos (3 do júri e 7 do público).

David Pessoa: “Amor Veloz”

Foi nos Estados Unidos da América, onde viveu largos anos, que David Pessoa definiu a sua identidade musical depois de se apaixonar pelos ritmos afro-americanos. Foi também lá que integrou os primeiros projetos musicais, percurso que deu continuidade em Portugal, onde integrou o grupo Manif3stos, com o qual pisou alguns dos maiores palcos nacionais.

O tema que interpretou nesta segunda semi-final do Festival da Canção “Amor Veloz”, foi composta por Francisco Rebelo, dos Cool Hipnoise, Cais Sodré Funk Connection e Fogo Fogo. A canção ficou em sexto lugar com 9 pontos (5 do júri e 4 do público).

Peter Serrado: “Sunset”

Nascido em Toronto, no Canadá, no seio de uma família de portugueses, Peter Serrado começou a cantar muito cedo, aos cinco anos. Foi só, porém, aos 18 que começou a levar a sério a hipótese de se dedicar inteiramente à música, depois de ter participado num concurso comunitário que venceu. Desde então, já participou em várias outras competições canadianas — como o Long and Mcquade Singing Contest, o CNE Rising Star e o Scotiabank Picnic Rising Star Contest — e partilhou palcos com artistas como Kesha Chante, Shawn Desman e Danny Fernandes.

“Sunset”, uma de duas músicas escritas em inglês para esta semi-final do Festival da Canção, foi escrita por ele. Ficou em sétimo lugar, com 9 pontos (1 do júri e 8 do público).

Susana Travassos: “Mensageira”

Natural de Vila Real de Santo António em 1982, Susana Travassos aos cinco anos quis logo aprender a tocar um instrumento e aprendeu a tocar acordeão e piano. Em 2008 gravou um álbum com músicas da cantora brasileira Elis Regina, intitulado “Oi Elis”. Foi precisamente no Brasil que gravou o segundo disco, “Tejo Tietê”.

Há vários anos que é amiga da compositora de “Mensageira”: a cantora, guitarrista e produtora Aline Frazão. Nascida em 1988, em Luanda, lançou o seu álbum de estreia “Clave Bantu” em 2011. O segundo álbum, “Movimento”, chegou em maio de 2013 e dois anos mais tarde, foi lançado o seu mais recente disco, “Insular”.

Vencedores da 2.ª semi-final

Peu Madureira: “Só Por Ela”

Até há bem pouco tempo, Peu (ou Pedro, para falar em bom português) era a maior incógnita desta edição do Festival da Canção, mas tudo isso se dissipou quando garantiu lugar na final do concurso. O fadista diz ter começado a levar a música mais a sério em 2002, “numa festa de beneficência na Paróquia de São Martinho, em Sintra”, lê-se na sua página oficial de Facebook. O fado sempre o acompanhou desde criança, muito por influência da mãe e da avó, também elas intérpretes do género.

Aos poucos, desde essa primeira atuação pública, Pedro começou a ser requisitado para cantar em vários clubes de fado como a Casa da Mariquinhas ou no Guarda-Mor, ambos em Lisboa. Em 2007 foi convidado por Adélcia Pires, a Primeira Dama de Cabo Verde na altura, a ir cantar ao arquipélago africano. Nesse mesmo ano foi também cantar à Roménia, na cidade de Sibiu, fazendo parte da programação da Capital Europeia da Cultura. Não tendo nenhum disco editado, Peu divide-se entre o trabalho na leiloeira Palácio do Correio Velho e ocasionais concertos em festas ou eventos privados. Júlio Isidro, presidente do júri do festival, disse à Antena 1, depois da semifinal, que Peu Madureira “vai ser o vencedor do Festival da Canção”.

Janeiro: “(sem título)”

Já deve ser conhecido como “o Salvador Sobral 2.0”, o rapaz que ganhou a pontuação máxima dos jurados. Henrique Janeiro tem 23 anos e é amigo próximo do músico que amou por dez milhões em Kiev. Foi escolhido pelo próprio Sobral como um dos concorrentes neste Festival e costuma navegar por entre géneros como a folk, jazz e a bossa nova. Nascido em Coimbra, estudou Musicologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e teve aulas no Hot Club de Portugal, percurso que o ajudou a construir uma ainda modesta carreira enquanto músico profissional.

Editou o EP Janeiro (que, curiosamente, foi misturado e masterizado por Benjamim, compositor que fez uma das canções que vai à final, “Zero a Zero”) em 2015 e já atuou em festivais como o NOS em D’Bandada, no Porto, o Bons Sons, em Cem Soldos (Tomar), e o Vodafone Mexefest, em Lisboa. Actualmente encontra-se a finalizar o seu primeiro álbum de originais e está a desenvolver um programa online, as Janeiro Sessions, onde canta em dueto com artistas como Miguel Araújo e Ana Bacalhau. Uma curiosidade: à semelhança de “(sem título)”, “Amar Pelos Dois” também foi a sétima canção da primeira semi-final do Festival.

Catarina Miranda: “Para Sorrir Eu Não Preciso de Nada”

Já ouviu falar de emmy Curl? Se sim, é provável que tenha reconhecido esta rapariga que deu voz à criação de Júlio Resende — Catarina e Emmy são a mesma pessoa. Aos 27 anos, a jovem diz na sua página de bandcamp que é do nordeste do país (Vila Real, para ser mais preciso) e que cresceu rodeada de música, pintura, teatro e fotografia. Aos quinze anos começou a escrever/tocar/produzir as suas próprias canções no estúdio do pai, mas só editou o primeiro trabalho — o EP Ether — em 2007. Assume que tem uma forte ligação à natureza e que tudo isso nasceu dos vários passeios que costumava dar na floresta, quando era pequena. Filha de uma poeta e de um músico (o pai tocava baixo), Catarina está a terminar um novo álbum que será editado ainda em 2018 e é assinado pelo seu alter-ego, emmy Curl.

Foi o pai que lhe ensinou a tocar os primeiros acordes de guitarra clássica, instrumento que a acompanhou até ao Conservatório Regional de Vila Real, instituição onde também estudou canto lírico. Mulher de sete ofícios, Catarina também tem uma especial apetência pelo mundo da moda, desenhando e costurando as suas próprias criações. Tem uma loja online onde assina como Emília Caracol (quando era pequena diziam-lhe que tinha cara de Emília).

Anabela: “Pra Te Dar Abrigo”

Lembra-se da Anabela? Aquela rapariga sorridente que em 1993 deu ao mundo uma das mais populares canções de karaoke (em português) de sempre? Sim, essa mesmo, a que cantava o “Quando cai a noite na cidadeeeeee”. Pois bem, 25 anos depois de ter ganho o Festival da Canção com apenas 16 anos, ela está de volta. Mantendo quase intactos os traços de menina, Anabela Braz Pires voltou ao local onde já foi feliz com a ajuda de outro nome histórico destas andanças, o mítico Fernando Tordo, que ficou responsável de compor a canção que apresentou, “Para Te Dar Abrigo.”

Nascida na Cova da Piedade em 1976, a “menina da Eurovisão”, como foi conhecida durante muito tempo, tem passado os últimos anos a fazer aquilo que mais gosta: cantar. Ente os anos de 1996 e 2002 colaborou com Filipe La Féria em musicais como “My Fair Lady” (fazia de Eliza Doolittle), “Koko” ou o “Jasmim ou o Sonho do Cinema”. Ao mesmo tempo foi lançando vários discos como o Primeiras Águas (1996) ou o Origens (1999). A sua carreira na música continuou a crescer e sempre entre estes dois mundos, o do teatro musicado e o da canção pura e dura. Pelo meio disto tudo meteu-se no ramo das dobragens de filmes de animação: “A Pequena Sereia”  e “Entrelaçados” são alguns dos mais populares em que esteve envolvida.

Joana Barra Vaz: “Anda Estragar-me os Planos”

No seu site oficial, Joana Barra Vaz apresenta-se como “realizadora, argumentista e compositora”. A sua primeira incursão mais “a sério” no mundo da música deu-se em 2012 com o lançamento do EP Passeio Pelo Trilho, isto numa altura em que assinava como f l u m e. Cineasta de formação, Joana já colaborou com os TV Rural, Bernardo Barata, José de Castro e Ricardo Jacinto, sendo que o seu disco mais recente foi lançado a título próprio em 2016 e chama-se Mergulho em Loba — que também foi produzido por Benjamim — e foi apresentado no Vodafone Mexefest.

De voz rouca e profunda, canta com nomes como José Afonso como inspiração. “Meu Caro Amigo Chico” foi o documentário que terminou em 2012 e que, através do depoimento de artistas como António Zambujo, Manel Cruz ou o próprio Chico Buarque, pinta um retrato de Portugal inspirado na música do artista brasileiro.

Joana Espadinha: “Zero a Zero”

Não, não é filha do célebre cantor/actor Vítor Espadinha. Apesar de terem o mesmo apelido, Joana é descendente de dois historiadores alentejanos. Cedo decidiu cursar Direito, mas a meio arrependeu-se e decidiu virar-se para a música, área que continua a explorar. Quando decidiu dar essa reviravolta chegou a uma encruzilhada: seguia os passos do irmão, guitarrista de jazz, ou da irmã, que é pianista clássica? Acabou por seguir a primeira opção, tendo sido aluna no Hot Clube de Portugal antes de ir estudar para o Conservatório de Amesterdão, em 2006. Foi aí que tirou uma licenciatura em jazz.

Editou Avesso, o seu primeiro álbum de originais, em 2014 e desde então divide-se em vários projetos como os The Happy Mess e os Cassete Pirata. Também já colaborou com vários autores como João Hasselberg (na canção “Whatever it is you’re seeking, won’t come in the form you’re expecting”) e Afonso Pais (em “Terra Concreta”) Actualmente, encontra-se a trabalhar num novo disco que será editado pela Valentim de Carvalho e que até já teve um single de avanço, a canção “Leva-me a Dançar”. No meio de tudo isto é ainda professora de canto no curso de jazz da Universidade de Évora e no Hot Clube de Portugal.

Rui David: “Sem Medo”

Rui David foi o nome escolhido por Jorge Palma para dar voz a “Sem Medo”. No final da emissão da primeira semifinal do Festival da Canção, ficou de fora dos sete magníficos — mas devia lá ter estado. A entrada de Beatriz Pessoa, a escolhida de Mallu Magalhães, foi afinal um erro: o público quis mesmo voltar a ouvir Rui David na final do Festival.

O músico, natural de Pedrógão Grande, é o líder do Projeto Alarme, que revisita canções da época pós-25 de Abril, dando-lhes uma roupagem contemporânea. A solo, costuma interpretar temas de cantautores como Sérgio Godinho ou Zeca Afonso.