A escritora Roxane Gay tinha apenas 12 anos quando foi violada por um grupo de rapazes, incluindo a pessoa de quem gostava, no interior de uma cabana abandonada no meio de uma floresta. A história verídica faz parte da sua nova obra, já editada em Espanha e no Brasil (“Fome – Uma autobiografia do (meu) corpo”), e serve de narrativa para explicar como a autora, após a violação, passou a usar o próprio corpo como um esconderijo tendo, para isso, recorrido à comida. Na obra que, segundo o El País, chega a incomodar o leitor, Gay relata como comeu compulsivamente para evitar olhares de terceiros.

“O passado está descrito no meu corpo. Carrego-o todos os dias”, lê-se na obra (tradução livre), que está longe de ser uma história de superação. Na autobiografia, Gay explica como “mergulhou numa espiral de vergonha, culpa e ódio contra si mesma”, que haveria de culminar na super obesidade mórbida de que padece. Roxane Gay chegou a pesar 262 quilos por 1,90 metros de altura.

“Comecei a comer para mudar o meu corpo, foi algo que fiz de maneira intencional”, escreve, definindo o seu corpo como uma “jaula”.

Na minha vida há um antes e um depois. Antes de ganhar peso. Depois de ganhar peso. Antes de me violarem. Depois de me violarem.”

Para quem não a conhece, Gay é ainda professora na Universidade de Purdue, nos EUA, editora, blogger, comentadora, fundadora da Tiny Hardcore Press e co-editora da PANK, um coletivo de artes literárias sem fins lucrativos, tal como se na página da Wook. Os trabalhos de Roxane Gay podem ser lidos em publicações como The New York Times e The Guardian. Da sua obra destaca-se sobretudo o ensaio “Bad Feminist. Um Estado Selvagem”, da Teorema — ao Observador, a editora esclarece que não tem “intenção” de vir a publicar o respetivo livro.