Assim de repente, a primeira grande conclusão é: o passar dos anos fez bem a Margot Robbie. Porquê? Se vir a fotogaleria até ao fim, vai perceber. Óscares, Globos de Ouro, BAFTA — o papel de Tonya Harding deu-lhe acesso direto à lista de favoritas dos principais prémios da indústria. No domingo à noite, dificilmente levará a estatueta para casa, mas certamente passará com distinção no teste da red carpet. Apesar de já ser uma cara conhecida no pre-show mais aguardado do ano, esta é a primeira vez que a atriz australiana está nomeada aos Óscares, e logo na categoria de Melhor Atriz Principal, embora seja também produtora do filme.

Para o filme Eu, Tonya, Margot passou por uma transformação radical, sobretudo no que toca a pequenos truques de maquilhagem. “Usei cola para pestanas nos cantos dos olhos e pu-los mais para baixo para dar um pouco daquela inclinação que os da Tonya tinham. A mesma coisa com a boca. Não só deixei os lábios mais finos, como puxei para baixo os cantos da boca”, explica Deborah LaMia Denaver, responsável pela maquilhagem do filme, à Vanity Fair. No processo de caracterização, as perucas também foram essenciais. Foram criadas por Adruitha Lee, vencedora de um Óscar de Melhor Caracterização em 2014, pelo filme O Clube de Dallas. À maquilhagem e cabelos, somaram-se as próteses no queixo, nas bochechas, nariz, por baixo dos olhos e à volta do pescoço, tudo para dar realismo à Tonya Harding de 44 anos.

Em 2014, a atriz passou pela passadeira vermelha dos Óscares. Estava morena e com um vestido Saint Laurent © Jason Merritt/Getty Images

As aulas de patinagem artística fizeram parte do trabalho de casa da atriz, embora tenha sido necessário recorrer a duplas nas coreografias mais complexas. “Fiz uns três ou quatro meses de patinagem, umas cinco vezes por semana, duas horas por dia. Mesmo que tivesse tido dez anos para praticar, nunca conseguiria fazer um triple axel. Precisei de ajuda”, confirmou a atriz, durante a antestreia do filme no Festival de Cinema de Toronto. Afinal, o tempo estava mais do que contado com um calendário de filmagens de 31 dias.

Aos 27 anos, Margot Robbie é uma cara relativamente recente em Hollywood. Chegou a Los Angeles em 2011, mas o mundo só viria a acordar para sua existência dois anos depois, com a personagem Naomi Lapaglia no filme O Lobo de Wall Street. Seguiram-se outros: FocusWhiskey Tango Foxtrot, A Lenda de Tarzan e Esquadrão Suicida. Na passadeira vermelha, o índice de estilo tem sido constante. Inseparável nas grandes casas europeias de alta-costura, temo-la visto brilhar em criações de Saint Laurent, Prada, Miu Miu, Louis Vuitton, Gucci, Chanel e Givenchy. Ao mesmo tempo, de todas as nomeadas deste ano ao Óscar de Melhor Atriz Principal, Margot é provavelmente a mais arrojada. Tão depressa escolhe o mais minimal dos Calvin Klein Collection, como chama para si todas as atenções num Gucci ou num McQueen exuberantes, equilibrando sempre o visual com cabelo e maquilhagem simples.

A atriz habituou-se a ver os seus looks serem cabeçalhos de notícias, ao mesmo tempo que desenvolveu técnicas próprias para posar para os fotógrafos. De perfil ou com o olhar sobre os ombros são os seus formatos de assinatura. Só aquele momento, em julho de 2016, na antestreia de A Lenda de Tarzan em Londres é que não estava no programa. O vestido Miu Miu desapertou-se em plena passadeira vermelha, de tal maneira que exigiu a intervenção do próprio Tarzan, o ator e co-protagonista do filme Alexander Skarsgard.

A começar pela esquerda: Chanel, (© Pascal Le Segretain/Getty Images) Giambattista Valli (© Bertrand Guay/AFP/Getty Images) e Ralph & Russo (© Patrick Kovarik/AFP/Getty Images)

Mais do que vestidos ao estilo das princesas da Disney, Margot parece ter uma inclinação para silhuetas longilíneas. Não seja por isso, as passerelles de alta-costura estão cheias de boas ideias, a começar pela Chanel e por esta sugestão angelical, cheia de pormenores luxuosos. A proposta número dois é Giambattista Valli e prova que o designer italiano não sabe fazer só vestidos volumosos, daqueles com quilómetros de tule (Dua Lipa nos últimos Brit Awards, lembra-se?). O terceiro vestido é aquilo a que podemos chamar um básico, só no léxico da dupla australiana Ralph & Russo, claro.