Contado seria difícil de acreditar. Este sábado, Neymar terá de ser operado à fratura incompleta no quinto metatarso do pé direito, sofrida aos 77 minutos do último jogo na Ligue 1 frente ao Marselha. Unai Emery, técnico do PSG, ainda tentou jogar no bluff e colocar algumas hipóteses na utilização do brasileiro frente ao Real Madrid na segunda mão dos oitavos de final da Champions, mas o veredicto médico e a vontade do jogador acabaram por prevalecer, com o avançado a rumar ao seu país para realizar a intervenção num hospital de Belo Horizonte. Até aqui, tudo normal; a “surpresa” chegou mesmo no dia da operação e nas atenções que está a atrair.

Lesão de Neymar é mais grave do que se pensava. E entre Champions e Mundial, ele já decidiu

O hospital Mater Dei de Santo Agostinho, que antes da intervenção abriu portas para recolha de imagens na ala do edifício onde Neymar ficará com os seus dez acompanhantes (e aqui falamos em ala porque o jogador terá todo esse espaço reservado apenas para si) e no quarto onde ficará em repouso, começou desde cedo a receber dezenas de elementos da comunicação social. Mas não só: vários fãs do jogador juntaram-se à porta da unidade, os mais pequenos com camisolas e bonecos do avançado, os mais graúdos com máscaras, lancheiras de cerveja e até bolas para estarem uns toques enquanto se entretêm à espera de notícias sobre o internacional brasileiro. Pelo meio, ainda há espaço para se irem cantando algumas músicas, numa ambiente de apoio e festa… como num jogo.

Alguns meios brasileiros começaram a avançar às 15 horas portuguesas que a cirurgia já teria terminado (fontes da Confederação Brasileira de Futebol terão dito apenas que “correu bem”), mas o plano inicial de recolherem declarações acabou por sair furado: o PSG, escaldado com algumas coisas que não gostou ao longo da semana, decidiu que só o clube poderia fazer qualquer comunicação sobre o estado clínico do jogador, num aviso de chegou ao hospital mas também ao médico que operou Neymar, Rodrigo Lasmar. E agora percebe-se porquê: de acordo com o L’Équipe, os franceses (que colocaram o experiente Gérard Saillant a acompanhar a cirurgia) defendem que Lasmar mentiu em relação aos detalhes da lesão do jogador após ter aterrado no Brasil, quando falou numa fratura completa do quinto metatarso, ao contrário da fissura que tinha sido detetada.

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Entre as várias notícias veiculadas ao longo da semana, ninguém percebe ainda ao certo quando tempo ficará o avançado de fora dos relvados mas, agarrando na melhor expetativa de dois meses/oito semanas, é provável que o brasileiro praticamente não jogue mais pelo PSG na presente temporada, focando as atenções no Campeonato do Mundo da Rússia e num título mundial que poderia ajudar a conseguir a primeira Bola de Ouro da carreira. Sim, Bola de Ouro: Neymar está a ser operado mas é do contrato com a Nike e das várias cláusulas nele incluídas que se fala, nomeadamente uma onde o brasileiro tem estipulados os prémios por cada conquista.

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O UOL Esporte terá tido acesso ao acordo que foi firmado em 2011 pelo jogador e pela empresa que o representa, a NR Sports (que tem na liderança o pai de Neymar, Neymar Sr., uma espécie de “cobrador do craque”), com a marca de equipamentos, válido até 2022 com dois anos de opção que podem ser exercidos pela Nike.

Cláusulas de confidencialidade à parte, começa por especificar o valor fixo pago ao avançado por ano mediante o clube onde esteja entre as quatro categorias definidas: A para Barcelona, Real Madrid, Chelsea, AC Milan, Manchester United, Arsenal, Juventus, Bayern e Inter, que rende um milhão de dólares; B para clubes das principais divisões europeias que tenham estado nos quartos de final da Liga dos Campeões em três das últimas cinco temporadas, que vale 500 mil dólares; C para uma outra qualquer formação da 1.ª Divisão, que dá 250 mil dólares; e D para conjuntos da 2.ª Divisão, onde não tem direito a qualquer remuneração. De acordo com especialistas contactados, as tabelas dos rankings de clubes vão sendo atualizadas, não sendo ainda assim possível saber se o PSG chegou à categoria A (o que é possível, até porque a Nike patrocina também a equipa francesa).

Depois, as cláusulas individuais. E uma enorme disparidade logo à cabeça: caso conquiste a Bola de Ouro (que nos últimos dez anos foi sempre dividida entre Cristiano Ronaldo e Messi), recebe da marca um milhão de dólares, valor que passa para dois milhões na segunda, três milhões na terceira, quatro milhões na quarta… No entanto, se Neymar conseguir ser campeão mundial de seleções da Rússia, terá direito “apenas” a 50 mil dólares (30 mil caso chegue à final). Ou seja, 20 vezes menos do que o troféu individual. Outro ponto: se for considerado o melhor jogador da competição ganha 200 mil dólares, tanto quanto se for o melhor marcador da prova.

A importância do individual em detrimento do coletivo a nível de bónus neste contrato estava também visível no que estava consagrado em relação aos Jogos Olímpicos, realizados em 2016 no Rio de Janeiro: a medalha de ouro valeria (como valeu) 20 mil dólares, mas o prémio de melhor jogador do torneio renderia 150 mil dólares (fez quatro golos, contra seis dos alemães Gnabry e Petersen) e o de melhor marcador 100 mil dólares.

Existe ainda um outro dado relacionado com as presenças de Neymar na seleção do Brasil: para receber o total da remuneração anual da marca desportiva, terá de participar pelo menos em 70% dos jogos por temporada. Caso jogue apenas 30% a 70% desses encontros, a remuneração cai para metade; se for menos ainda, passa a 25%.

O UOL Esporte contactou a Nike e a NR Sports para perceber se os valores permaneciam iguais ou se tinha existido algum tipo de atualizações, sendo que as duas partes se escudaram nas cláusulas de confidencialidade existentes no vínculo para recusarem fazer comentários. Ainda assim, a publicação explica que as alíneas previstas devem manter-se idênticas mas com outros valores mais altos, acompanhando a trajetória ascendente do jogador desde que chegou à Europa para representar o Barcelona, antes de assinar pelo PSG por 222 milhões de euros.

O Sport, que ressalva a coincidência de timing do aparecimento deste contrato com o clima de tensão que se vive na relação entre Neymar e o PSG, recorda também que o jogador tem um ordenado de quase 40 milhões de euros por temporada nos franceses, fora os outros contratos publicitários que tem rubricado com diferentes marcas.