A participação dos atletas portugueses nos Mundiais de Pista Coberta de Birmingham não estava a ser a esperada. É certo que Lecabela Quaresma conseguiu um positivo oito lugar no pentatlo, se calhar até acima das expetativas iniciais para a prova, e que a estafeta de 4×400 metros com Filipa Martins, Cátia Azevedo, Rivinilda Mentai e Dorothé Évora conseguiu uma grande marca que bateu o recorde nacional (mesmo não chegando à final), mas Tsanko Arnaudov, por exemplo, era apontado pelo menos ao top-8 e ficou na 12.ª posição. Faltava um atleta. O do costume, um pouco como nos últimos Mundiais ao Ar Livre de Londres (tirando as provas de estrada de marcha): Nelson Évora. E como os diamantes são eternos, o saltador de 33 anos (faz 34 em abril) entrou na luta pelas medalhas e conseguiu mesmo o bronze, a apenas três centímetros do campeão Will Claye.

Depois de duas lesões gravíssimas, Nelson conseguiu uma fantástica recuperação e voltou aos grandes triunfos internacionais com que alguns já não acreditavam. Campeão olímpico em 2008 (conseguiu em Pequim o quarto ouro de sempre de Portugal na maior competição desportiva), o saltador conseguiu dois bronzes nos Mundiais de 2015 e 2017 ao Ar Livre (tinha ganho o ouro em 2007 e a prata em 2009) e dois ouros nos Europeus de Pista Coberta, em 2015 e 2017. Olhando apenas para Mundiais, o atleta nacional somava apenas uma medalha, de bronze, há dez anos, em Valência; agora, o objetivo era conseguir juntar mais uma em Birmingham. E conseguiu.

Nelson, o menino de ouro que conseguiu o bronze na final do triplo salto

A mensagem foi deixada logo na primeira ronda de saltos, com o campeão olímpico de 2008 a ficar com a melhor marca (17.14) à frente de dois dos três principais adversários na prova: os americanos Will Claye (16.89) e Chris Carter (16.76) e o brasileiro Almir dos Santos (16.70), que chegou a Inglaterra com a melhor marca do ano (17.37, que foi também recorde pessoal). No entanto, tinham sido registados muitos nulos. Um deles de Copello.

O azeri acabou por conseguir passar mesmo para a frente da prova no primeiro salto válido, ultrapassando Nelson Évora em três centímetros. Os americanos continuaram abaixo da fasquia dos 17 metros, ao contrário de Amir dos Santos que subiu ao primeiro posto com uma marca mais próxima do seu melhor do ano (17.22). O português ainda tentou recuperar a liderança da prova mas, ao arriscar em demasia, o salto acabou por ser nulo. Mas o melhor estava guardado para pouco depois: com a melhor marca da época, Nelson passou para primeiro com 17.40.

Foi um salto fantástico, mas os americanos, mais em concreto Will Claye, conseguiram reagir: o segundo classificado nos dois últimos Jogos Olímpicos de 2012 e 2016 (com Christan Taylor em forma, a medalha de prata acaba por ser um resultado quase equivalente a ouro…), que já foi campeão mundial em pista coberta em 2012, acertou na passada e estabeleceu a melhor marca do ano, com 17.43, ficando três centímetros à frente do português. Ainda na luta pelas medalhas, Almir dos Santos fez nulo e Nelson voltou a fazer um bom salto, de 17.25.

Na quinta série, houve apenas uma alteração e que penalizou o português (que fez um salto nulo): Almir dos Santos, o melhor da temporada até estes Mundiais, puxou dos galões e chegou aos 17.41, mais um centímetro do que Nelson. Os últimos saltos acabaram por não trazer alterações na classificação, com o saltador português a ficar com o bronze muito perto de um lugar mais alto e com a melhor marca da temporada.

Nelson Évora continua a ser um dos favoritos nos Mundiais de atletismo