“Berlusconi, já caducaste”, podia ler-se no tronco cu de uma mulher que interrompeu o momento em que Silvio Berlusconi votava nas eleições legislativas deste domingo. O ex-primeiro-ministro, líder do partido de centro-direita, virou-lhe imediatamente as costas e só depois voltou à sala.

Este é o momento em que Berlusconi é interrompido.

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O ex-primeiro-ministro viria a voltar à sala para votar, nestas eleições em que apesar de não poder assumir cargos púbicos até 2019 (por ter sido condenado por fraude fiscal) é um elemento-chave.

Eleições em Itália. Os cenários possíveis de uma encruzilhada

O presidente de Itália, Sergio Mattarella, votou na cidade siciliana de Palermo nas eleições legislativas do país, no meio de uma controvérsia devido a um erro na impressão de 200 mil boletins de voto.

O chefe de Estado votou num colégio eleitoral no centro de Palermo, por volta das 8h35 (hora local, 7h35 em Lisboa), de acordo com a imprensa italiana.

Presidente italiano votou em Palermo, entre polémica por erro nos boletins

Em Palermo houve um erro nos boletins de voto que causou atrasos e obrigou alguns eleitores a aguardar para votar: Em 200 mil boletins de voto alguns nomes dos candidatos não estavam corretos.

O problema foi descoberto ao amanhecer e a delegação do Governo decidiu reimprimir todos os boletins, mas não chegaram a tempo a várias escolas e muitos cidadãos que foram votar ao início da manhã tiveram de esperar.

Houve ainda outro problema em Mantova, onde os eleitores estão também a votar para a liderança da região da Lombardia. Neste caso, o logótipo do Partido Democrático regional estava mal impresso.

Mais de 46 milhões de italianos vão hoje a votos nas eleições que servirão para eleger os 630 deputados e 315 senadores gerais.

O novo sistema eleitoral em vigor em Itália é uma complexa mistura entre os sistemas proporcional e maioritário, fazendo com que, para ter maioria no parlamento, um partido ou coligação precise de 40% dos votos, segundo uns especialistas, 45%, segundo outros.

Itália proíbe a divulgação de sondagens nas duas semanas antes do voto, mas nas últimas publicadas, a aliança entre a Forza Italia (FI), do polémico ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, e a extrema-direita anti-imigração e eurocética da Liga (antiga Liga do Norte), de Matteo Salvini, e dos Fratelli d’Italia, de Giorgia Meloni, liderava com entre 37% a 38% das intenções de voto.

A seguir surgem o populista Movimento 5 Estrelas (M5S), de Luigi Di Maio, com cerca de 28% das intenções de voto, e a coligação de centro-esquerda encabeçada pelo Partido Democrata (PD, no poder), de Matteo Renzi, com 26% a 27%.

A campanha eleitoral foi dominada pelo discurso anti-imigração, em alguns casos xenófobo e racista, num país envelhecido e em crise económica que recebeu nos últimos quatro anos 600.000 imigrantes africanos.

As assembleias de voto abriram hoje às 7h00 em Itália (6h00 de Lisboa) e assim permanecerão até às 23h00 locais (22h00 de Lisboa).

Tendo em conta a complexidade do novo sistema eleitoral, espera-se que só na madrugada de segunda-feira haja uma ideia da composição do próximo parlamento italiano.