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O Presidente do Parlamento Catalão indicou Jordi Sànchez, eleito pelo Juntos Pela Catalunha, para liderar o Governo regional. Mas, recorda o El País, a investidura do deputado enfrenta duas dificuldades que podem impedir a concretização desse plano: por um lado, Sànchez está em prisão preventiva na sequência do processo que culminou com o referendo à independência catalã e a lei exige que a cerimónia de investidura seja assistida presencialmente por quem vai ser empossado presidente da Generalitat; por outro lado, não tem apoio suficiente no Parlamento catalão para que o seu nome seja, à partida, aprovado pela maioria dos deputados.

Há um mês, Carles Puigdemont anunciava a sua saída de cena no que diz respeito à presidência da Generalitat. Num vídeo gravado na Bélgica na semana passada, o líder do Juntos Pela Catalunha deixava claro que apenas passava o testemunho a Sànchez porque, se regressasse a Barcelona, o mais certo seria acabar detido pelas autoridades judiciais. Assim, e porque apontar o deputado eleito pelo seu partido seria a única forma de “formar um novo governo”, Puigdemont anunciava Sànchez como “um homem de paz” que podia assegurar a tarefa que o próprio queria ter assumido.

Passou um mês e, agora, depois de uma nova ronda com os partidos com lugares conquistados em Barcelona nas eleições de dezembro, Roger Torrent, presidente do Parlamento catalão, diz que Sànchez é quem “conta com mais apoios” entre os 129 deputados.

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De acordo com o El País, as contas fazem-se assim: a causa independentista soma 70 votos favoráveis no Parlamento regional. Mas apenas 64 deputados já garantiram dar o seu apoio à investidura de Jordi Sànchez. Faltam-lhe quatro “sins” para a maioria absoluta que desbloqueie o impasse político dos últimos dois meses e meio. Outros dois votos estariam garantidos, caso Carles Puigdemont e Toni Comín pudessem votar. Mas, a partir de Waterloo, essa é uma tarefa impossível para os independentistas.

Fora de questão parece estar um apoio da Candidatura de Unidad Popular​​ (CUP). O partido já deixou claro que vai abster-se na votação do nome que venha a ser apontado para a presidência da Generalitat, seja o de Jordi ou outro qualquer. “Queremos mandar a autonomia para o lixo da história”, disse Carles Rivera, porta-voz do partido.

Apesar de já ter indicado o nome de Sànchez para liderar o próximo Governo catalão, Roger Torrent não indicou ainda uma data para que o nome seja votado pelos deputados.