O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson, deixou no ar a possibilidade de Inglaterra boicotar o Mundial de futebol na Rússia, agendado para começar a 14 de junho deste ano, em Moscovo. As declarações foram ambíguas, o que motivou a correções por parte de “fontes próximas de Boris Johnson”, referindo que o boicote seria feito apenas a nível da representação política naquele evento desportivo.

As declarações, feitas esta terça-feira na Câmara dos Comuns, surgem no contexto do alegado envenenamento de Sergei Skripal, um ex-espião russo que vive atualmente em Inglaterra, e da sua filha, Yulia. Foram os dois encontrados inconscientes este domingo num centro comercial em Salisbury, no Sul de Inglaterra.

Reino Unido. Homem exposto a substância desconhecida é antigo espião britânico na Rússia

Boris Johnson disse que não estava a “apontar culpados”, mas deixou um aviso “aos governos de todo o mundo”. “Nenhuma tentativa para matar um inocente em território britânico ficará sem sanção ou sem castigo”, avisou. Em caso de resposta, esta seria “adequada e robusta”.

Entre as medidas contempladas por Boris Johnson, estaria uma espécie de boicote ao Mundial de 2018. “Devo dizer que, se as coisas tiverem sido como muitos membros do parlamento, de ambos os lados da bancada, suspeitam, então devemos ter uma conversa séria sobre a nossa relação com a Rússia”, disse. Logo de seguida, explicou um cenário possível: “Seria muito difícil imaginar uma representação do Reino Unido naquele evento [Mundial de futebol] fosse para a frente, de forma normal. Certamente que devemos considerar isso”.

As palavras de Boris Johnson criaram a ideia de que a seleção de Inglaterra podia falhar o Mundial de 2018, em protesto. O The Guardian escreveu o título “Johnson sugere que Inglaterra pode boicotar o Mundial”, o The Telegraph escreveu que “Boris Johnson dá um aviso sobre o Mundial à Rússia por causa de ‘envenenamento’ de espião”.

Porém, as notícias de um boicote da equipa inglesa — repare-se que Boris Johnson falou de uma “representação do Reino Unido” e não de Inglaterra — acabaram por ser desmentidas ao diretor executivo do Huffington Post britânico, Paul Waugh. Segundo aquele jornalista partilhou no Twitter, uma “fonte próxima de Boris” explicou que o boicote seria apenas de “governante e dignatários”, o que pode até incluir ministros. Porém, os “nossos rapazes” da seleção inglesa nunca fariam parte desse bloqueio.

Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros garantiu, numa nota às redações, que a intenção de Boris Johnson era falar apenas de governantes, dignatários e políticos.

Apesar de entretanto ter sido esclarecida, esta gaffe valeu críticas a Boris Johnson por parte da bancada trabalhista, na oposição. Emily Thornberry, deputada do Partido Trabalhista e ministra-sombra dos Negócios Estrangeiros, abordou a tirada de Boris Johnson de forma jocosa. “Teríamos muito menos tempo perdido e chatices se antes de cada presença de Boris na Câmara dos Comuns, entrevista aos media ou comunicado dissesse: ‘Por favor, não levem nada disto a sério até os meus assessores confirmarem que eu disse isto'”.