O ministro da Cultura defendeu esta terça-feira que a vila de Mértola, no Alentejo, “merece” ser Património da Humanidade, mostrando-se confiante na classificação pela UNESCO se a candidatura “for bem trabalhada e estruturada”.

“Não tenho dúvidas” de que Mértola, no distrito de Beja, conhecida como ‘vila museu’, “merece ser Património da Humanidade”, afirmou Luís Filipe Castro Mendes, referindo que acredita na aprovação da candidatura pela UNESCO “se for bem trabalhada, apresentada e estruturada”.

Segundo o ministro, que falava aos jornalistas depois de uma reunião com o presidente da Câmara de Mértola, Jorge Rosa, incluída no programa da visita que hoje efetuou à vila alentejana, “tudo está na construção e na capacidade de persuasão da candidatura”.

Mértola foi incluída pela Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) na nova Lista Indicativa de Portugal à classificação de Património Mundial, a qual inclui 22 bens e é um “pré-requisito indispensável” para candidatura de bens a Património Mundial.

O ministro demonstrou a disponibilidade e o interesse do Ministério da Cultura em apoiar “tudo o que se venha a fazer” para desenvolver e tornar “mais atrativa e interessante” a vila de Mértola, que considerou “um grande centro de história e de arqueologia”.

Luís Castro Mendes demonstrou também “o maior interesse” do Governo em apoiar a conclusão da obra de reabilitação da Casa Cor de Rosa, que está parada após a descoberta de quatro estátuas romanas no local.

“Temos o maior interesse em apoiar” a obra, que “é importante e interessante para a vila”, mas também as “perspetivas interessantes que se abrem a partir da descoberta” das estátuas, frisou o governante.

Segundo o presidente da câmara, durante a obra de reabilitação da Casa Cor de Rosa, “um dos mais bonitos e emblemáticos edifícios do centro histórico” da vila de Mértola, foi descoberto um conjunto “muito importante” de quatro estátuas romanas, datadas do século I, o que provocou a interrupção dos trabalhos e “certamente vai levar a custos acrescidos para o município”.

Jorge Rosa disse que a presença do ministro da Cultura na reunião desta terça-feira foi “determinante” para resolver “alguns pormenores” da obra, como o prolongamento do prazo de conclusão contratualizado para garantir a comparticipação em 85% por fundos comunitários, e o município vai prosseguir com os trabalhos previstos no projeto inicial.

A obra, incluída na estratégia municipal para “potenciar a presença e a cultura islâmica que marcaram e marcam a história do território de Mértola”, começou em maio de 2017, está orçada em cerca de 800 mil euros e tinha um prazo de execução previsto de um ano.

Jorge Rosa explicou que o projeto do município prevê a reabilitação da casa, que “estava em ruínas”, e a criação no espaço de um complexo de banhos árabes, “como não existe em Portugal”, e de uma casa de chá.

Por outro lado, o autarca considerou que o conjunto das estátuas, “pela sua importância”, deve ser musealizado e colocado num local na vila para ser visitado pelo público.

O local tem de ter “a mesma dignidade e a mesma importância” das estátuas, defendeu Jorge Rosa, referindo que o espaço ainda não está definido, mas há várias soluções “em cima da mesa”.

Segundo o autarca, o município e a Direção Regional de Cultura do Alentejo vão reunir “brevemente” para encontrarem o local e poderem começar a trabalhar no projeto de musealização do conjunto estatuário, que “é muito importante e será certamente mais um motivo para as pessoas se deslocarem a Mértola e irá contribuir para o turismo e o desenvolvimento da vila”.