Não há forma de o dossiê sobre o assalto ao paiol de Tancos conhecer a luz do dia. O ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, tinha prometido entregar ao Parlamento toda a documentação útil até ao final de fevereiro. Sete dias depois, não há sinais do dossiê e o Ministério da Defesa assume que o relatório ainda está em “preparação”.

A informação é avançada pelo jornal Público, que recupera os compromissos assumidos por Azeredo Lopes e os sucessivos avisos de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a necessidade de que todas as circunstâncias do assalto a Tancos fossem apuradas até às últimas consequências. Ao mesmo jornal, fonte oficial do Ministério da Defesa reconhece, no entanto, que o “dossiê documental encontra-se em preparação” e não se compromete com qualquer data de entrega aos deputados.

Na documentação que o ministro deverá fazer chegar ao Parlamento estão elencadas todas as medidas estruturais que foram tomadas na sequência do assalto a Tancos, informações desclassificadas, mas também matéria sensível. Tal como explicara Azeredo Lopes, a 8 de fevereiro, em entrevista ao Diário de Notícias. “Falta aquilo a que me comprometi: um dossier em que, de forma sistemática, se descreva o que já se sabe quanto ao que aconteceu. Repito, sem nunca interferir na investigação criminal quanto à autoria, cumplicidade e comparticipação, sabendo que esse elemento é absolutamente decisivo para conseguir compreender o que aconteceu”, garantiu o ministro.

Quem não diminui a pressão é Marcelo Rebelo de Sousa. A 1 de março, um dia depois de Azeredo Lopes ter falhado o prazo de entrega da documentação ao Parlamento, o Presidente da República aproveitou a tomada de posse do novo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) para desafiar os responsáveis pela investigação (tutela incluída) a não desistirem de ir “mais longe e fundo” no apuramento das responsabilidades. Isto depois de Marcelo ter revelado que o “apuramento interno” de alguns “casos” que envolveram as Forças Armadas permitiu “identificar omissões, insuficiências ou erros estruturais” e definir novos procedimentos.

Tancos. Marcelo quer que investigação “vá mais longe e fundo”