Gianni Pittella deixa a liderança do grupo de Socialistas e Democratas (S&D) do Parlamento Europeu para sentar-se no Senado italiano, na sequência das eleições de 4 de março em que o Movimento 5 Estrelas foi a força mais votada (e em que o Partido Democrático a que pertence sofreu uma pesada derrota). As eleições no S&D estão marcadas para dia 20, já há dois candidatos ao lugar de Pittella e caberá à portuguesa Maria João Rodrigues liderar a família política nas próximas duas semanas.

O anúncio foi feito esta quarta-feira de manhã, numa reunião do segundo maior grupo político, em Bruxelas. Pittella confirmou a possibilidade que tinha sido deixada em aberto pelo próprio e disse que estava de partida para Itália, quase quatro anos depois de ter assumido a presidência do S&D. Aos deputados, o italiano pediu “tempo e coragem” para as batalhas que o grupo vai enfrentar nos próximos tempos, a pouco mais de meio ano das próximos eleições europeias.

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As candidaturas para a sucessão de Pittella podem ser apresentadas até 12 de março, na próxima segunda-feira, e já há dois candidatos anunciados: Udo Bullman, o primeiro vice-presidente do grupo, e Kathleen van Brempt, a vice-presidente belga. Não há portugueses candidatos ao lugar e, segundo o Observador apurou, nenhum eurodeputado do Partido Socialista (o único partido português que pertence a esta família europeia) pretende avançar com uma candidatura à liderança daquela família política.

Maria João Rodrigues chegou a ser apontada como uma hipótese, mas a eurodeputada já deixou claro em Bruxelas que não pretende concorrer. A socialista, vice-presidente do S&D, tem atualmente a pasta dos assuntos do plenário do Parlamento Europeu e a presidência da Fundação Europeia de Estudos Progressistas (FEPS). Vai, no entanto, assumir a presidência interina nas próximas duas semanas, consequência da decisão de Bullman de avançar com uma candidatura em nome próprio.

Depois da eleição para a presidência do grupo S&D, deverá haver nova eleição. Dessa vez, para ocupar o lugar de vice-presidente do grupo, que venha a ficar vago, caso nenhum outro eurodeputado avance com uma candidatura e a eleição seja decidida entre Bullman e van Brempt.

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Pittella regressa a Roma cerca de um ano depois de ter sido candidato derrotado à presidência do Parlamento Europeu (conquistada por Antonio Tajani, uma figura que também pode estar de saída de Bruxelas, caso a Forza Italia de Silvio Berlusconni consiga fazer valer a sua posição nas negociações para a formação do próximo Governo do país). Pittella era candidato e chegou a acreditar na eleição, mas uma decisão súbita dos Liberais de Guy Verhofstadt acabou com as esperanças do líder do S&D.