A investigação do Ministério Público sobre a EDP teve acesso a uma troca de e-mails entre a empresa e Manuel Pinho que poderão reforçar as provas que ligam o ex-ministro da Economia ao grupo energético. Num desses e-mails obtidos pelos investigadores, conforme noticia a edição do Expresso, Manuel Pinho pediu em 2014 informação à EDP para um trabalho de assessoria ao Canada Pension Plan, fundo cujo maior investimento em Portugal é na própria EDP.

Manuel Pinho, que é arguido na investigação do Ministério Público sobre suspeitas de corrupção envolvendo as rendas da EDP, prestou em 2014 assessoria a esse fundo de origem canadiana, tendo recorrido aos conhecimentos da EDP para elaborar um parecer. Conforma explica o jornal, o alegado e-mail onde consta o pedido de informação à empresa energética foi enviado através da secretária de Pinho no BES África. Na mensagem surgem elencadas várias questões ao diretor de planeamento da EDP, Pedro Neves Ferreira, sobre o sistema elétrico nacional.

Nessa troca de e-mails que se seguiu, o administrador João Manso Neto fica também a saber que Manuel Pinho teria pedido mais informações ao regulador do setor energético, Vítor Santos, na altura presidente da ERSE. Um pedido que terá motivado uma reação de Pedro Neves Ferreira: ” São perguntas que o Canada Pension Plan Investment Board lhe pagou para ele responder, como conhecedor de Portugal. O preocupante é só que ele também pediu contributos ao Vítor Santos, que, segundo Manuel Pinho, deu uma imagem bastante negativa do país”, lê-se no e-mail citado pelo Expresso e que estará agora nas mãos dos procuradores Carlos Casimiro e Hugo Neto.

Manuel Pinho: “Não fui favorecido pela EDP”

Esta troca de mensagens surge assim aos olhos dos investigadores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) como mais uma prova de ligação entre Manuel Pinho e a EDP na investigação que está também a avaliar a contribuição de 1,2 milhões de dólares que a empresa fez para financiar a Universidade de Columbia, na qual o ex-ministro foi dar aulas em 2010, pouco depois de deixar o Governo de José Sócrates. Sobre esta questão dos e-mails, Manuel Pinho não prestou esclarecimentos ao Expresso. Apenas a EDP confirmou a existência dos mails, que a própria empresa disponibilizou aos investigadores. Também Vítor Santos comprovou a troca de mensagens, embora garanta que não se recorda da informação que terá sido então partilhada.